quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Entre Amigas (16º post)

Olá, pessoas!!!
Td bom?
Desculpe a demora em “blogar”, mas, ultimamente, tenho trabalhado feito uma cadela no cio (no bom sentido, é claro!). Tenho trabalhado muito. Acho que vai chegando o final do ano e todos querem resolver as pendências que não resolveram o ano todo, aí o negócio pega fogo aqui na minha área.
O mês de dezembro é muito engraçado, né? Além da correria normal, característica do próprio mês, tem vários eventos e confraternizações, que fazem ele ficar mais curto ainda.
Dezembro é tempo também de pararmos para fazer um balanço do ano. Particularmente, gosto de me reunir com amigos para um papo informal e descontraído. Falar sobre amenidades e rir muito de tudo que aconteceu.
Ontem, foi um desses dias. Reuni-me com duas amigas, uma de longa data, que trato como irmã, e outra que, embora, tenha conhecido há apenas um aninho, tenho um apreço muito grande e já a adotei como irmã também.
Nossa..., falamos tantas besteiras, que nem queiram saber. Rs... Falamos sobre passado, presente e planos para o futuro. Falamos do botox que uma colocou na testa, do metacrilato que as duas colocaram no nariz pra levantá-lo. Confesso que estou quase me rendendo a uma intevençãozinha também. O único problema é que isso vicia, né? Rs... A gente começa preenchendo uma coisinha aqui, outra ali e quando nos damos por conta, estamos com cara de cobra – toda deformada. kkkk... Acho que não quero isso não. Vou esperar mais um pouco para quando as coisas realmente começarem a despencar.
A polêmica da noite foi: Operar ou não?
Quando falo em operar, estou me referindo a fazer a vaginoplastia.
O resultado do senso foi “não”. Por 2 votos a 1.
É meio louco isso. Votei não, pois isso foi uma coisa que nunca passou pela minha cabeça. Sempre tive na mente que por mais que pareça uma mulher, por “n” fatores, nunca, jamais e em tempo algum serei uma. Quero ser reconhecida e respeitada como um bela trava e ponto. Essas coisas de querer entrar para o mundo hetero para não se preocupar mais em ter ereções e ainda ficar envergonhada de tirar a roupa perto de um homem, por se ter uma vírgula no meio das pernas, nunca me incomodaram. Mas não vou ser hipócrita em dizer que “nunca operaria”. Já disse tantas vezes que nunca faria isso ou nunca faria aquilo e com o passar dos anos acabei fazendo e mordendo minha língua, que prefiro me resguardar quanta a isso daqui pra frente. Hoje não faria, mas não sei se daqui alguns anos terei essa necessidade. Por enquanto, estou ótima e de bem com meu corpitchu bacana.
Abrindo uns parênteses:
Umas das minhas amigas trabalhou para a prefeitura. Sabe como é o governo, né? Cheio de projetos sociais apenas no intuito de desvio de verbas e tal. Existia um que se chamava Damas. Achei esse até interessante. Era, na verdade, um projeto de apoio psicológico às travestis e encaminhamento médico ao SUS para realização da tal vaginoplastia.
Mara era uma boneca que, já no topo dos seus 52 anos, estava fazendo o acompanhamento psicológico para a cirurgia. A mesma confessava que já não tinha vida sexual ativa e nem mesmo queria mais homem na sua vida. Indaguei-me sobre o que levava um ser humano a essa altura do campeonato, e já com a vida sexual aniquilada, a querer fazer esse tipo de mutilação no corpo? Com que propósito? Mas logo pude entender que para ela o fato de se olhar no espelho, nua, e ver ali embaixo uma “perereca”, onde deveria estar naquele corpo, mesmo que já enrugada, era algo que transcendia a coisa carnal e o simples fato de ter uma vagina. Era um lance de satisfação pessoal, de complementação ao restante do seu corpo de mulher. Não consigo entender, também, o porquê de muitas se suicidarem após a cirurgia.
A amiga que votou pelo SIM, disse que dessa forma ela não teria mais que se preocupar com homem querendo pegar na “vírgula” dela. Kkkk.. Pois ele não teria mais o que pegar.  Bom, sou da teoria de que homem que vai a procurar da vírgula, quer e gosta da vírgula. Então, pra que ser envergonhar. Surgiu também o papo de que algumas sentem vergonha porque a vírgula não vira um acento agudo na hora H. Mas, gente..., há de se entender que hormônios fazem isso com a gente. Nem sempre o acento agudo será utilizado para acentuar o coito. Afinal, onde se quer ter o prazer. Eu sinto prazeres de outras formas e, diga-se de passagem, prazeres muito mais prazeirosos; logo, a vírgula poderia ser uma verruga, uma florzinha ou uma jaca, que não faria a menor diferença pra mim... rs... Hum..., jaca não, né? Deve ser horrível andar com algo daquele tamanho no meio das pernas... kkk... Sem contar que não daria nunca pra colocar um biquíni. Rs...
Por outro lado, alguns homens têm tesão em boneca justamente por isso – por saber que são mulheres com algo a mais. Como já comentaram em um dos meus últimos posts: “Saímos com bonecas porque é muito mais fácil ver que elas estão tendo prazer, pois o negócio é visual. Já com as mulheres, nunca sabemos quando estão fingindo um orgasmo”. Achei muito interessante e oportuno o comentário.
Bom, meus amores..., vou ficando por aqui.
Semana que vem eu deixo uma mensagem natalina pra vcs.
Bjocas e até o próximo post.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Doses Cavalares (15º Post)


Nossa..., quanto tempo desde meu último post, né?
Estava mega, super e hiper assoberbada até alma de trabalho. O pouco tempo que me restava, ficava sem a mínima vontade de encarar o laptop pra escrever algo. Às vezes, me vejo muito preguiçosa mesmo. Em certos momentos da vida, o ócio é tão bom, né? Ficar "giboiando" é a melhor coisa do mundo. E nos finais de semanas tenho me dedicado mais ao meu branquinho. Viro uma carrapatinha e não quero desgrudar dele um só instante.
Hoje, irei escrever um pouco como anda minha vidinha de transformação.  Há momentos que acho engraçadíssima a forma com que meu corpo reage aos estímulos químicos (hormônios) e também aos emocionais. Afetivamente, minha vida anda a mil maravilhas, cada vez mais apaixonada e o melhor de tudo é que a retribuição do afeto é recíproca.
Após sete meses me hormonizando de uma forma amena, chegou o momento das doses cavalares. Aquelas que definitivamente registraram sobre meu corpo as formas mais sinuosas do desenho feminino. Antes era apenas um tipo de hormônio. Ah, vamos lá..., dois, digamos assim, mas de forma conjugada. Agora, serão dois anti-androgênios e três hormônios femininos (um progesterona e dois estradiol). Anteriormente, só estava utilizando um estradiol e uma dose muito fraquinha de anti-androgênios. O que trabalhou com mais intensidade a pele e a parte superior do corpo, nomeadamente, rosto e seios. Agora, a nova dosagem trabalhará mais intensamente a parte inferior do corpo. Perna, bumbum, quadril e cintura; embora, os meses iniciais me deram um bumbum mais volumoso e bem mais arredondado.
Já estou usando há uma semana essa nova formulação e devo confessar que o que mudou drasticamente foi o meu estado emocional. Embora saiba que meu estado de humor irá alterar também, só senti mudança no emocional até o momento.
Semana passada (véspera de feriado), aconteceu um episódio que eu mesma fiquei sem entender a falta de controle que estou tendo sobre meus sentimentos. Passavam-se das 22h e meu namorado sugeriu que fossemos nos deitar para dormir. Mas sabem aquelas coisas que acontecem que, por mais sono que se tenha, o contato de pele entre dois amantes faz o sono se dissipar imediatamente? Pois bem, foi isso que aconteceu. Começamos a nos acariciar...
Uma coisa que me tira do sério... Aliás, duas coisas. Como já postei em textos anteriores, uma é a sensibilidade exacerbada que tenho nos seios e outra é a barbinha por fazer do branquinho no pescoço. Nossa..., essas duas coisas me fazem chegar a um ponto de inércia “orgásmica”, ou seja, me fazem chegar ao grau máximo de excitação na cópula carnal, onde depois disso meu corpo tona-se inebriante de prazer e qualquer toque, o mínimo que seja, me fazer chegar ao orgasmo muito rápido. Acho que se, nesse momento, cair uma gotinha de suor do meu amado sobre meu corpo, eu explodo de prazer. Mas, como sabia que sou, fico me controlando pra não ficar “gozando” a toda hora. Até porque se não a vizinhança vai me expulsar do condomínio por conta dos meus escândalos transgredindo a lei do silêncio. Rs... L
Por favor, também não vão pensar que sou uma louca e escandalosa em todos os momentos íntimos. Mas se não gemer, gritar ou esboçar qualquer tipo de ruídos, mínimo que seja, fico sufocada.
Bem, voltando ao momento “cama pra dormir...” Rs... Não conseguimos dormir, antes que pudéssemos nos acariciar e nos amar loucamente. Como as luzes já estavam todas apagadas e o quarto escuro e silencioso, resolvi ligar um sonzinho ambiente para, digamos que..., abafar os ruídos da minha boca sem controle.

Coloquei um “set” que amo (tipo música pra relaxar) de um percursionista brasileiro que toca “Rocks” antigos no piano – o “set” é muito bom (coloquei uma musica aí acima para que vcs possam ouvir). Mas a tecnologia é “foda”, né? O aparelhinho tem um sistema shuffle que vai tocando as músicas aleatoriamente. E logo a primeira música a ser tocada foi “Hotel California”, que eu amo. Nesse exato momento, meu branquinho estava deitado na cama, de barriga pra cima, e eu montada sobre ele. Lembro que me despi, deixando os seios a mostra, e que logo em seguida ele me beijou e os acariciou. Gente... não sei o que aconteceu... Mas desabei a chorar compulsivamente. Chorava, chorava... E a cada toque dele chorava mais ainda. Ele sem entender nada – coitado – me abraçava e falava coisas carinhosas pra me consolar.
Na verdade, acho que foi um misto de tudo. Acho que naquele momento, estava me liberando de todos os grilhões impostos por minha vida. Estava diante da pessoa que amo e confio, e naquele instante podia me despir totalmente e desabafar. Mas pra dizer a verdade, nem sei do que me desabafar... Não tenho nada pra desabafar... rs... Como a cabeça de mulher é estranha... Nossa... rs... Loucura, loucura, loucura!
Após chorar muito, me recompunha. Ia ao banheiro lavar o rosto, respirava fundo e voltava para cama. Ele me tocava e eu chorava novamente... rs... Depois de umas três sessões de choros, idas ao banheiro e retornos para cama, conseguimos finalmente terminar o que havíamos nos proposto a realizar – um amor como sempre muito gostoso.

Ainda, bem que ele é um fofo, mega carinhosinho e soube como poucos homens no mundo me entender e me amparar. E o melhor de tudo: não perder o pique! Rs...
Então, tenho me surpreendido com coisas que antes não existiam na minha vida. Tento encarar cada dia com resignação. Sei que muitas coisas ainda estão por vir. Muitos obstáculos a enfrentar. Mas de uma coisa tenho plena convicção: se estiver do lado do homem que me ama, enfrentarei o mundo se preciso for.
Bjinhos e até o próximo post.
Ah..., já ia me esquecendo... Quem puder, vá assistir ao filme do Almodovar, que está em cartaz, “A pele que habito”. O filme é maravilhoso!
Nada tem a ver com minha transformação, mas é uma das facetas de se ver num corpo de uma mulher.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Paixão nacional (13º Post)


Uma coisa que sempre me intrigou foi a veneração que homens têm por seios e bundas. Nossa..., que coisa engraçada, né? Parecem uns cachorros sedentos e com as línguas para fora. Viram uns verdadeiros lobos no cio.
Certa vez, eu mesma, me propus a fazer um senso para saber o que homens tanto vêem nessas partes de nosso corpo.
No meu caso, os seios foram os divisores das águas. Usando medidas de tempo, seria: Claudinha a.s. e Claudinha d.s. (Claudinha antes dos seios e depois dos seios). Os assédios ficaram muito mais acentuado depois que brotaram dois “montes” no meu tórax. Acho que as curvas ficaram mais femininas. O bumbum também deu uma crescida e certa arredondada. Não consigo mais passar na rua sem ser alvo de comentários esdrúxulos que homens têm o péssimo hábito em fazer.  Aquelas coisas para deixarem a gente sem graça, do tipo: “Gostosa! Te chupo toda! Ah..., minha boca nesse peitinho! Que rabão gostoso, hein! Meto sem pena!” E por aí, vai! Mas reparo também que só os homens escrotos são os que fazem essas coisas. Os finos e educados no máximo olham sem tecer qualquer tipo de comentário. Mas todos, sem exceção, têm a péssima mania de dar aquela olhadinha depois que passamos por eles. O pior de tudo é que ainda são covardes, pois só olham quando estamos de costas. Rs...
Então, na enquete que fiz alguns dias atrás, perguntei aos amigos de trabalho, familiares e amigos pessoais o que um homem pensa ou sente quando dão aquela olhadinha pelas costas. Antes, não conseguia imaginar o que levava um homem a tomar esse tipo de atitude, diga-se de passagem, horrorosa, de se contorcer todo para olhar uma bunda perambulando pela rua. Eu imaginava que pensavam coisas do tipo: Ah..., aquela bunda peidando na minha cara...! A única coisa que dá para imaginar. Mas fui perceber que homem realmente pensa em sexo 18 horas por dia. As outras 6h restantes costumam estar sonhando com sexo. Rs...
Alguns disseram que pensam apenas como aquele rabo deve ser gostoso. Outros se imaginam fazendo algo. Têm alguns, então, que desenrolam um verdadeiro longa metragem. Parece que o tempo pára para que ele possa dirigir o filme de sua imaginação em apenas alguns segundos. Porém, todos foram unanimes em dizer que as partes mais lindas do corpo de uma mulher são os seios e o bumbum. Não é à toa que essas partes são consideradas “paixões nacionais”.
Logo, chego à conclusão que “piriquita” é apenas o feijão com arroz. E feijão com arroz passa a ser algo muito sem graça. Advêm daí, o fascínio que homens têm por bonecas. Pois todas têm e adoram servir os acompanhamentos que os homens lambem os beiços ao comer. Rs...
Bjoquinhas e até o próximo post.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Essa boneca tem manual (12º Post)



Olá, pessoas...!!!
Estava morrendo de saudade de escrever contando um pouco mais sobre minha vivência nesse mundo de transformação.
Quanto mais me transformo, mais tenho vontade de desistir. Rs... (Brincadeirina à parte). Isso, jamais!!!
Vocês não têm a menor noção do quanto o mundo feminino é complexo. A cabeça então..., nossa..., é muito louca. Às vezes, pego-me sendo chatinha igual as mulheres. Tudo isso pura culpa dos hormônios femininos. Vivo cada dia com uma oscilação turbulenta de humor.
É carência do nada. É solidão meio a uma multidão de pessoas desejando sua companhia. Pode parecer engraçado, mas por mais que esteja rodeada de pessoas amigas ou não, em algum momento me sinto carente. Digo carente de carinho. Carente de um simples SMS do meu gatinho dizendo que estava pensando em mim. Carente de ser acarinha por ele, de poder deitar em seu peito cheiroso e dormir um pouquinho, ou simplesmente de ficar ali quietinha ao seu lado, com as pernas jogadas sobre as dele. Não precisa falar nada, só o fato de estar ali já é uma forma de me sentir protegida e amparada.
Estou percebendo que meu manual está sendo digitado a cada minuto da minha vida. São tantas coisas que antes não existiam e que agora existem. Isto acaba fazendo com que as pessoas não saibam de que forma me tratar. Talvez, por já estarem acostumados a tratar bonecas de forma grosseira, ou por não me conhecer acabam, falando coisas que me deixam irritadíssima.
Mas não todos, é claro! O meu branquinho....,  ah..., ele sabe tudo sobre mim. Surpreende-me a cada momento. Estou mega apaixonadinha. Ele é um fofinho...!
Estou muito mais sensível a cada dia que passa. Mas estar sensível, não é sinônimo de estar querendo fazer sexo toda hora. Alto lar!!! Tenho vontade de fazer sexo apenas com quem amo. Quando nos encontramos é explosão na certa. Tudo nele me faz bem. Parece que ele leu o meu manual inteirinho. Aquela barbinha no meu pescoço é algo que me enlouquece completamente.
Essa semana, saímos para a balada. Dançar agarradinha com ele foi a coisa mais gostosa do mundo. Ele é um verdadeiro gentleman. Mas como todo macho que se preze, é muito safadinho também. Rs... Lá para as tantas, ele chegou ao meu ouvido e com aquela voz safada de macho no cio, me disse assim: “Mô, o “sapinho” está nervoso”. E me apertou contra o seu corpo. Na mesma hora senti que algo lá embaixo estava completamente rígido. Sentir aquilo me deixou loucamente molinha e com certo ciúme. Veio à tona aquele sentimento de posse e medo de alguém ver ou perceber, mesmo por cima da calça, algo que é só meu. Assim que me senti na hora. Minha reação foi de ficar agarradinha nele para que ninguém pudesse notar. Rs... O que foi esquentando ainda mais meu corpo. Comecei a ficar com um calor..., e ele para completar, me dando uns beijinhos gostosos e inimagináveis. Será que ele está fazendo algum curso de beijos? Será que isso existe? Rs... Ele tem me dado uns beijinhos tão saborosos, que me deixam atônita.
Bem, vocês devem estar se perguntando o porquê do nome sapinho. Rs... Isso é coisa minha... Sempre gosto de apelidar carinhosamente as coisas que me interessam. Mas vou contar de onde se originou o codinome sapinho. Certa vez, cansada do Carnaval do Rio, do tumulto, do calor e etc., resolvi fazer um retiro espiritual e viajei para casa dos meus tios em Friburgo. A casa ficava alguns poucos metros de uma cachoeira, que dava para escutar o barulho da água caindo e passando entre as rochas. Logo na primeira manhã, acordei aos gritos. Estava tendo um sonho tão gostoso com a natureza e com pássaros se enroscando nas minhas pernas, acarinhando-as tão deliciosamente. Sem querer acabei prendendo um embaixo de uma das pernas e no mesmo momento que sonhava, veio de súbito a minha mente o pensamento de que se fosse um pássaro, deveria estar sentindo algo quentinho e não gelado com parecia ser. Rs.... Acordei desesperada e quando puxei o lençol, me deparei com um sapo nojento. Nossa..., fiz um verdadeiro escândalo, que num segundo despertei todos da casa. Tenho pavor desses anfíbios (sapos e pererecas), embora ache o sapo muito lindinho. Então, vem daí o apelido do sapinho do meu branquinho.
Uma vez, estávamos deitadinhos no sofá da sala e senti algo pulsando em minhas pernas e lembrei-me da tal estória da viagem de Carnaval. Quando desci a mão para ver o que era, segurei no “piu-piu” do meu amor. Rs... Desta forma, o apelidei de sapinho.
Bom, voltando ao assunto da nossa noite....
Chegamos à casa às 6h da manhã. Tomamos banho e ficamos namorando. Não sei se foi porque havia tomado uma bala logo que cheguei à boate, mas estava com uma excitação fora do normal. Meu primeiro orgasmo foi com ele roçando a barba no meu pescoço. Isso nunca havia acontecido comigo antes. Como disse em outros posts, tenho uma sensibilidade muito grande nos seios e chego ao orgasmo fácil quanto ele os toca, mas daí a explodir de prazer com ele no meu pescoço, isso jamais havia ocorrido. O segundo orgasmo foi com ele nos meus seios e o terceiro, bom... o terceiro, vocês já devem imaginar com o correu.  Depois, dormimos garradinhos. É tão bom "mimir" agarradinha nele. Acordei, por volta de meio dia, com ele já querendo mais. Oh..., gatinho guloso... rs...
E assim foi o nosso delicioso domingo, cheios de namoricos e orgasmos múltiplos. Só levantamos da cama para almoçar e assistir o jogo do flamengo.
Meu branquinho estava realmente impossível... Aliás, acho que ele tem o meu manual...
Bejinhos e até breve!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Isto é conversa de Blu Rays... (11º Post)



from: Claudinha 
to: Michele
date: Wed, Sep 28, 2011 at 12:18 PM
subject: Re: Bom diaaaaa!


Bom dia, minha flor de primavera!


Hum....,  que delícia, gata! Que tudo! Amei...
Mas homem sempre tem o prazer de estragar tudo, né? A libido deles é diferente da nossa. Aliás, nem acho que seja totalmente culpa da libido. O nosso "timing" mesmo que agora se faz diferente. Pra nos excitarmos ao ponto de uma entrega total é mais dificil, sei lá. Tem que ter um algo a mais, algum tipo de encantamento.

Qdo algum homem fala besteira pra mim, tenho vontade de mandá-lo ir à merda. Mas tento ter paciência, pq sei que estou muito estranha mesmo. E o mais engraçado de tudo é que estamos tendo as mesmas experiência físicas e psicológicas no mesmo momento e isso é muito legal, pois podemos trocar experiências.

Não é só sexo. É algo mais que a gente procura, que eu sinceramente não seio o quê? Rs...  Parece louco, né? Mas é a cabeça de mulher aflorando cada vez mais.

Uma coisa é fato, talvez pq vc ainda não tenha encontrado a pessoa certa, mas se entregar a quem vc gosta e ma-ra-vi-lho-so. Nossa, o toque é diferente. Ele toca o seu rosto e sua piriquita treme de vontade. Amiga, eu tenho gozado com mamadas em meus seios, vc acredita? Isso nunca tinha me acontecido na vida. Eu não sei com que defeito eu vim de fábrica, mas vc sabe que os bicos dos meus seios parecem grelo, cheios de terminações nervosas... kkk... Só tocar neles e eu fico igual a Shakira: Louca, louca, louca... rs...
Mas esse seu momento vai chegar. Se entregue ao M* e vc vai ver que loucura que é. Pena que ele esteja "marcando touca" com vc.

Mudando de assunto...
Menina, estou achando meus peitinhos mega-gigantes. Definitivamente, não dá mais pra esconder. Mas está tão bonitinhos... Rs... As auréolas estão estufando. Do jeito que sempre sonhei em ter um. Sabe que dá até vontade de mamar meus próprios peitinhos... kkk... Já tentei até me contorcer pra chegar neles com a boca, mas não dá. Acho que preciso fazer anos de alongamento pra isso acontecer. No máximo, o que consegui, foi passar a língua nos mamilos, mas achei tão sem graça e tb nem senti nada. Tem que ser a boca do meu gatinho mesmo... kkk... Engraçado que qdo encontro com meu bb, fico rezando baixinho: "Aí, tomara que ele pegue nos meus peitinhos" rs... Tô adorando. Aliás, qdo ele pega... Hum... Ele é muito gulosinho... rs... Parece um bbzinho em fase de amamentação.

Bjinhos cheios de saudades,

Claudinha das Peitolasgozantes.
:)


from: Michele
to: Claudinha
date: Wed, Sep 28, 2011 at 11:20 AM
subject: Bom diaaaaa!

Bom dia garotinha lourinha!!!

     Ai amiga ontem o jantar foi incrível! Ainda estou até agora meio que em transe!Ele passou  lá em casa pra me pegar 19hs.Pra começar ele subiu pra me pegar, achei ótimo! Descemos juntos.Apertei o foda-se e o "não to nem ai" caso encontrasse alguem do prédio.Mas como não cruzo com quase ninguem ,talvez pq o prédio é pequeno com poucos apartamentos, então essa 1a parte foi fácil. Ai quando chegamos no carro dele, ele gentilmente abriu a porta pra eu entrar! E depois foi pro lado dele. Me perguntou o que eu gosto de comer, falamos amenidades e ai ele me levou num restaurante pequeno, charmoso, achei ótimo. Alias fui comportada! Aquele longo que usei na TW lembra? E um bolerinho.Pouquíssimo make. E cabelos soltos,rs.Nossa gata, sabe que me senti a pessoa mais comum e normal do mundo? Ele pediu uma entrada, escolhi um prato de massa pra mim,e tudo correu super bem. Tomamos tb um vinho.E ele toda hora te ntava colocar as mãos emcima das minhas, acredita? Ai amiga....acho que estou viajando....! No final,me fiz de mona e nem me cocei pra pegar a bolsa ou expressar qq gesto na hora que veio a conta, que naturalmente o garçon entregou pra ele que pagou a conta com a maior naturalidade.
     Fomos para o carro e ai....ele me convidou a ficar mais a vontade com ele, e muito sem jeito me perguntou se eu ficaria ofendida de ir a um motel com ele, acredita? Ai gata, eu quase aceitei, mas preferi não. Não sei, mas apesar de todo esse enredo e tals, eu não me senti ainda com vontade de me entregar pra ele...que coisa de doido!!!O que está acontecendo com a minha cabeça irmã?? Ficamos passeando pela cidade, conversando....Acho que estou pirando....em Pira, literalmente!Rs. Mas enfim, ele aceitou numa boa e pediu desculpas por ter se precipitado ,acredita?My god! Ai gata não sei se quero algo mais com ele...ando tão sem libido....! Prefiro conhece-lo  melhor se for o caso...mas sei lá, acho que ainda não é esse o caso...ai amiga, to estranha demais!

bjos miga

Michelinha Almostcrazy
:(

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entendendo o Universo das Bonecas (10º Post)

Hoje, vou abrir um parênteses no blog para abordar um tema que, tenho certeza, vai ajudar muita gente a entender melhor o universo das bonecas. Pode até parecer que não, mas os desejos e percepções de vida das bonecas são bem distintos e bastante definidos.
Muitos ficam na dúvida da real diferença entre uma boneca e uma travesti, por exemplo. Bom, deixa explicar: boneca é o conjunto, e travesti é o elemento deste conjunto, assim como as transexs, as blu rays, as CDs e as CDZudas, todas são elementos desde conjunto chamado bonecas. Veja no diagrama abaixo:


Outra coisa que também confunde bastante a cabeça da maioria das pessoas é a diferenciação entre Blu Ray, CD e CDzuda. Vou descrever mais claramente essa diferença. Não mencionarei os outros tipos de bonecas (travestis e transexuais) por entender que essas diferenças já sejam bastante conhecidas de vocês e para simplificar, uma tem “pinto” e a outra não.
Pela etimologia da palavra, Crossdresser, freqüentemente abreviado como CD, é uma palavra originária da língua inglesa, onde cross significa “oposto, contrário”; e dresser significa “o que veste, enfeita, adorna, prepara, arranja”. Logo, CrossDresser é o que se veste ao contrário. Refere-se às pessoas que vestem roupas ou usam objetos associados ao sexo oposto, seja pelo desejo de se vivenciar uma faceta feminina (para os homens), masculina (para as mulheres) ou por motivos profissionais (os transformistas ou o equivalente em inglês às Drags-Queens – DRessed As a Girl, vestidas como uma menina), ou ainda para obter gratificações sexuais e outras. Não tem nada a ver com orientação sexual. O crossdresser, no entanto, pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade.
Os crossdressers, geralmente, não utilizam nenhum tipo de terapia hormonal ou intervenção cirúrgica. Como dito acima, são implicados apenas em se travestir de acordo com suas vontades.
As CDZudas, termo abrasileirado do original (crossdresser), refere-se àquelas que gostam de se vestir apenas pelo prazer sexual, puro e simplesmente, pago ou gratuito e sem envolvimento afetivo, visto que vivem na clandestinidade e, que por necessidade ou medo, não podem se assumir perante a sociedade.
São consideradas os abutres do conjunto bonecas. Como os crossdressers, também não fazem terapias hormonais ou cirúrgicas. Muitas nem se depilam ou usam maquiagem. São constituídos pelo os homossexuais, assumidos ou não, que se vestem com adornos femininos extravagantes e sem critério. Usam roupas surradas que a mãe, irmã ou alguma uma tia velha disponibilizou para doação. Produzem-se com algumas poucas peças. Geralmente, quando vão receber visita íntima, estão de calcinha, sutien,  meia calça e salto alto. Quando usam perucas, são aquelas de nylon, que com o tempo vira uma piaçava de vassoura; ou ainda aquelas de canecalon, com cheiro misto de naftalina e mofo, da avó que morreu. No caso das CDZudas casadas, muitas usam roupas das próprias esposas, sem essas saberem, é claro.
Caçam homens em salas de bate-papo da internet ou de telefone. Gostam de receber suas vítimas na penumbra ou na total escuridão para que oculte ou suavize a silhueta masculina e o rosto acinzentado e sombreado pelo “chuchu” mal feito (chuchu = barba).
Não saem para baladas heterossexuais, pois são alvos de chacota por suas figuras caricatas e jeito desengonçado de andar e agir. A voz grossa desestimula qualquer pretendente. Quando saem, preferem lugares escuros e sombrios também. Agem como verdadeiros vampiros, quanto são expostas à luz. Curtem viver nas trevas por vários fatores fisiológicos, visuais e estruturais.
Usam três meias calças ou meias arrastões para camuflar as pernas cabeludas de caranguejos. Usam camisas de manga comprida e gola alta para esconderem os pêlos do peito e dos braços. Isso quando usam. Muitas nem com isso se preocupam. Algumas abatem suas vítimas deixando-os mesmo à amostra.
Quando não pagam para ter prazer, pagam o lanchinho ou a passagem para a vítima voltar para casa.
Blu Ray ainda não é um termo registrado em lugar algum. Foi concebido por mim de uma forma tão carinhosa. Que resolvi utilizá-lo de modo a destacar a classe das bonecas mais afetuosas.
Utilizando o comentário de um amigo no primeiro post, quando o mesmo disse que a minha tecnologia era mais avançada, portanto, não poderia ser classificada como CD e nem DVD, e sim como Blu Ray. Assim sendo, lancei mão de utilizar essa terminologia para destacar essas bonequinhas carinhosas.
As Blu Rays são as bonecas que têm em mente sua completa transformação em um futuro muito próximo. Algumas almejam ser transexs e outras apenas travestis mesmo. Mas já carregam em suas entranhas a vontade latente de se transformar e viver 24h por dia como uma boneca.
Na verdade, começam por um processo diferente da maioria das travestis. Em momento algum pensam no sexo como objeto de trabalho, ou seja, não existe a hipótese de prostituição como forma de sobrevivência. Por isso, como o intuito não é o de viverem à margem da sociedade, começam trilhar a vida baseada na independência cultural, social e financeira e, só depois, já estabilizadas passam a se transformar.
O grande responsável pela demora em sua total transformação, geralmente, é o ambiente profissional. Embora, algumas empresas já tenham códigos de éticas publicados, observando o Princípio da Igualdade na esfera empresarial, ainda existe um preconceito velado no que tange a se ter uma travesti no quadro de funcionários ou, muito menos, exercendo cargo de liderança ou executivo dentro da mesma. Talvez, seja porque o ícone travesti, erroneamente, ainda esteja associado a um objeto sexual.
Blu Rays são bonecas que interagem com a sociedade. Circulam tranquilamente pelas ruas, boates e festas (heterossexuais), praias, bares e restaurantes, shopping, cinemas e etc. Não curtem o mundo gay, embora algumas vezes são vistas transitando por alguns guetos desse gênero.
Utilizam terapias hormonais e intervenções cirúrgicas. São totalmente desprovidas de pêlos, tanto na face quanto no resto do corpo.
Possuem guarda-roupas completos e variados, pois fora do trabalho vivem normalmente no seu dia-a-dia como boneca.
O sexo para elas não está baseado em prazer somente. Portanto, se um homem a procura, exclusivamente, para obter prazer sexual, deve retirar o cavalinho da chuva, pois elas só se abrirão para aqueles que tenham algo a oferecer afetivamente. Buscam companheirismo em seus parceiros e geralmente, são as que têm namorados fixos. Pensam e agem exatamente como as mulheres.
Ufá...! Espero ter lhes esclarecido.
Caso tenha ficado algum ponto sem entendimento, não hesitem em contactar-me.
Um cheiro grande para vocês.
Até o próximo post.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um eu que eu não conheço (9º Post)



Sinto que algo mudou, ou melhor, que está mudando muito rápido. Às vezes até me assusto. Estou dormindo obsoleta e acordando atualizada. Atualizada em um corpo de mulher, embora, a mente esteja ainda muito confusa.
Já não penso e nem ajo como antes. Tenho súbitos andrógenos que me impulsionam a desejos mais exacerbados e menos ortodóxos; porém, uma coisa estranhamente forte e totalmente feminina me inibe de torná-los realidades. Sabe quando se está empolgado com certa coisa e logo vem um balde de água fria para acalmar os ânimos? É assim que tem acontecido comigo. Estou ainda num processo de adaptação à minha nova realidade, às novas curvas do meu corpo e à forma com que ele reage a certos impulsos.
Outrora, o sexo era a causa para eu conhecer alguém, agora ele se tornou definitivamente a conseqüência.  Num passado, não muito remoto, queria bater recordes. Superar a mim mesma. Era a quantidade que importava e não a qualidade. Eram gordos e magros, velhos e novos; enfim..., de marcianos a terrestres. Hoje, minha libido, ainda que esteja à flor da pele, necessita de estímulos muito mais arrebatadores para que me renda ao coito.
Sempre usei a máxima de que gostava de homens, mas que não era de qualquer homem. Agora, a máxima é que gosto de homens, mas os que dizem-me “útero”. Ou seja, tem que ser aquele que mexa comigo íntima e psicologicamente. Não adianta ter apenas um rostinho bonito ou um corpo escultural. Tem que ser o que consiga me cativar e mostrar que está disposto a me seduzir e, além disso, ter conteúdo. Missão impossível para alguns, né? A grande maioria só pensa em realizar suas necessidades fisiológicas ou noturnas urgentes.
Depois que conheci meus amiguinhos “D” e “A” (os hormônios que uso), não tenho sentido vontade de “bater bolo” (bater bolo = se masturbar). Aliás, não lembro mais qual foi a última vez que fiz isto. O fato é que os efeitos causados por meus amiguinhos fizeram tudo mudar dentro de mim. Para ficar no ponto de abate (rs...) tem que existir preliminares “calientes”. O carinho antes do sexo potencializa todos os sentidos do meu corpo, me deixando a beira do êxtase. Mas isso não é um prazer que qualquer homem me proporciona. Há homens e homens.
Meninos, lembrem-se que as mulheres levam um tempo maior para se excitarem? Rs... Em qualquer manual de bê-a-bá sexual, vocês aprenderão isso: que tem de ter toda uma preliminar para que elas fiquem no ponto certo para o abate? Mas também não é tão difícil assim, eu pelo menos tenho pontos chaves pelo meu corpo, que me empurram lá para frente, já me colocam na eminência do orgasmo. Mas poucos descobriram esses pontos, ou melhor, tiveram tempo para descobrir.
Pois bem, assim que o meu corpo tem funcionado. Se o homem vem querendo sexo, como se fosse um animal no cio, meu corpo nem dá sinal de vida. Mas se vem com outra proposta, com beijinhos e carinhos, as coisas mudam de figura e meu corpo responde prontamente. Porém..., entretanto, todavia..., devo confessar que estou demorando um pouco para chegar ao orgasmo simplesmente com a penetração.
Às vezes, penso em parar com os hormônios, mas, imediatamente depois, desisto da idéia. Só em pensar que voltaria a não ter critério como antes, querendo apenas satisfazer o prazer do meu corpo, já é o suficiente para abdicar desse pensamento venenoso. E o prazer da minha mente como satisfazer? Pelo menos a minha compulsão sexual de antes amenizou e muito. Agora, encontro tempo para fazer outras coisas simples da vida, como: sair com amigos para um chopinho, ir ao teatro, ir ao cinema, comer pipoca, ir à praia pegar um solzinho e ficar ouvindo o barulho do mar. Não que fazer sexo não seja bom, mas, hoje em dia, estou preferindo fazer amorzinho.
Lembro que não via a vida passar. Ficava trancafiada dentro de casa recebendo visitas, que no final do dia não tinham me acrescentado, absolutamente, nada. E o vazio era imenso, quando pairava minha cabeça sobre travesseiro na hora de dormir.

Embora, hoje, não me reconheça por completo, tenho certeza que mudei. Mudei para muuuuuito melhor.
Beijinhos e até a próxima blogada.

sábado, 3 de setembro de 2011

Vida solitária? Não, apenas uma opção de vida (7º Post)



Oi, minhas coisas gostosas!
Saudadinhas de escrever pra vocês.
Espero que tudo esteja correndo na mais perfeita sintonia em vossas vidas.
Hoje, vou escrever um pouco sobre um tema que alguns amigos têm abordado em nossos convívios.
Perguntam-me sempre se não tenho vontade de ter alguém, de compartilhar minha vida, de formar uma família e etc.
Entendo, perfeitamente, a preocupação deles, mas confesso que não é minha preocupação por hora. Na verdade, já tive esse tipo de preocupação quando era mais nova. Aliás, para ser sincera, já tive tantas preocupações na vida..., que só me renderam alguns fios de cabelo branco, e que no decorrer do meu amadurecimento foram se dissipando da minha mente e saindo da minha lista de prioridades. Hoje, minha única prioridade é ser feliz.
A vida passa com uma velocidade meteórica. Me assusto quanto olho para o ontem e vejo que fiz muito pouco das coisas que me propus a realizar na minha existência terrena. Mas, se pensarmos bem, quantificar essas coisas pode ser um tanto quanto relativo, né? Por exemplo: um fio de cabelo na cabeça de uma careca é muito pouco, mas se o encontrarmos um fio em uma sopa é muita coisa.
Acho que a vida que levei, talvez, seja a grande responsável por ter posto meu foco em outras coisas, nas coisas que realmente julgava importante, tipo: consolidar-me cultural, moral, profissional e financeiramente. Não que ter tido alguém ou formado uma família não pudessem existir concomitantemente com o que focava, só procurei me dedicar às coisas que consolidassem a minha independência.
Vinda de uma família humilde e a antepenúltima a nascer, numa gama de dez filhos, onde a única sortuda ou azarada fui eu (isso até hoje ainda não consegui definir com exatidão. Talvez um dia ainda faça análise para resolver essa questão), pois com 1 ano e 2 meses fui doada para uma outra família.
Creio que nosso destino já esteja meio que traçado, nos restando apenas um livre arbítrio para termos uma folguinha para avançar ou retroagir quando nos deparamos a certos obstáculos da vida. No meu caso, sempre usei a sabedoria da água, que nunca luta com os obstáculos que encontra pela frente, mas simplesmente os contorna.  E assim segui meu destino. O importante é que sobrevivi ao monstro chamado fome, a crueldade chamada medo de ser abandonada novamente e a dor chamada incerteza do amor.
Dos nove irmãos, fui a única que pude estudar e ser alguém na vida. Poderia até me vangloriar disto tudo, mas, em vários momentos, tive apenas preocupação. Preocupação de olhar para trás e me sentir culpada por ter uma vida diferente da dos meus irmãos e não poder fazer por eles tudo o que gostaria de fazer.
Chegou um momento em que tive de me fazer madura para entender que as oportunidades são dadas a todos de uma forma ou de outra e que há pessoas que as sabe aproveitar e outras já não.
O fato é que não foi fácil chegar até aqui e muito menos estar escrevendo (expondo) certas passagens da minha vida, que ainda mexem muito com meus sentimentos. Mas sabia que um dia teria a oportunidade de deixar essas memórias registradas, nem que fossem em um pedacinho de papel no fundo de uma gaveta de uma cômoda qualquer.
Amo incondicionalmente meus pais de criação, se não fosse por eles, não seria quem sou. Mas sempre alerto as pessoas que querem adotar alguma criança, que o façam de almas lavadas. Que não a exponha a incertezas que poderão mudar o seu caráter e deixar cicatrizes profundas em seu coração para o resto da vida.
Sempre fui uma criança muito centrada, até mesmo por saber desde pequena a minha verdadeira origem. Utilizava a forma mais árdua de sofrimento para aprender a crescer. Conhecia as duas realidades e sabia qual era a melhor para mim. Não que as diferenças entre as duas famílias fossem muito discrepantes, mas uma me dava a condição e o ambiente normal para ter um crescimento saudável e poder evoluir como ser humano.
Passei por maus e bons momentos. Hoje, percebo o quanto aquela criança indefesa fora sabia em determinadas circunstâncias. Ouvia coisas do tipo: “Não está satisfeita? A porta da rua é a serventia da casa” ou “Nós temos obrigação com fulano e beltrano, que são nossos filhos, com você não”. Coisas, essas, que me magoavam profundamente. Já os amava e jamais resistiria à possibilidade de viver longe deles. Se isso realmente tivesse acontecido, com certeza não estaria aqui escrevendo um pouco da minha estória.
Com a sabia inocência madura de uma criança solitária procurava não fazer nada que me expusesse ao relento sombrio daquele seio familiar ao ponto de ouvir esses tipos de comentários e exclusões sociais. Fazia de tudo para que me deixassem em paz.
Lembro que morria de medo de dormir sozinha, mas nunca tive a coragem de bater à porta dos meus pais pedindo abrigo e carinho. Cobria minha cabecinha com o cobertor e ali ficava chorando baixinho com medo de algum monstro me abocanhar até o sono chegar e finalmente dormir o sonho dos anjos.
Fui de faxineira à babá dos meus irmãos, sem poder me queixar da sorte. O pouco tempo que me restava era para ir à escola e fazer minhas lições de casa. Não tive uma infância comum onde pudesse brincar e fazer coisas de criança. Sempre fui domada a ser precoce.
Tenho certeza que essa minha total independência e coração ressabiado para o amor vêm exatamente daí - da minha infância sofrida e podada. Mas me sinto feliz por te chegado com maturidade aonde cheguei e conquistado o que meus irmãos e milhares de pessoas com a minha idade estão na batalha para conseguir.
Fortaleci-me de tal maneira, que não sinto a necessidade de casar ou construir uma família. Não que isso não possa acontecer. Mas esta é uma necessidade ainda remota.
Costumo dizer que não estou à procura do homem ideal para viver ao meu lado, mas também não estou fechada a encontrá-lo.
Por enquanto, estou me dando à chance de conhecer um “sapinho” muito especial e que tem preenchido meu coração, exatamente nos momentos em que preciso. Espero que, dentro em breve, ele se torne o príncipe encantado dos meus sonhos de criança, mas se isso também não acontecer, serei madura o suficiente para entender, que não estou sozinha, mas é apenas a minha opção de vida.
Posso não saber direito o quero para a minha vida, mas sei exatamente o que NÃO quero.
Beijinhos calorosos com sabor de chocolate e até o próximo “post”.

domingo, 14 de agosto de 2011

O ponto X da questão (5º Post)

Olá, pessoal!
Essa semana fiquei meio atoladinha de trabalho. Fechamentos e inícios de mês pra mim são complicados. Hoje, finalzinho de domingo do Dias dos Pais, consegui correr para o note e escrever um pouquinho. A vontade de escrever é uma forma de desabafar e contar um pouquinho sobre meu cotidiano.
Como disse pra vocês, algum tempo atrás, o processo de transformação externo é lento (com exceções da pele, que fica macia logo no primeiro mês, e da “peitola”, que pula logo nos primeiros meses), mas os efeitos internos são imediatos.
Nos últimos meses, meu corpo tem vivido um turbilhão de emoções. A sensibilidade está à flor da pele. O simples toque ao me corpo, me proporcionar sensações antes nunca vivida.  Meus seios sempre foram lugares onde mais sentia sensibilidade - tesão pra ser sincera. Só de tocarem neles, já me faz ficar excitada. Engraçado que a excitação não é apenas na hora do ato sexual e sim nos mais inusitados momentos. Rs... Se estiver na fila de um caixa de supermercado e alguém esbarrar, sem querer, em um dos meus seios, pronto, já vem aquela sensação deliciosa de prazer. Dá-me vontade de começar a gemer: “Oh...! Oh Yes... Oh, my God! Oh, no!” RS...
Depois do uso dos hormônios, a sensibilidade quadriplicou. Embora, meu seios ainda estejam em fase de crescimento e meio doloridinhos, por sinal, a sensibilidade se tornou tão grande que sou capaz de chegar ao orgasmo ao simples contato dos lábios de um homem. Incrível, né? Algum tempo atrás, tinha pensado até em por pircings nos bicos dos seios para inibir um pouco da sensibilidade deles. Ainda bem que não cometi essa loucura, porque hoje teria me arrependido amargamente de ter podado uma das sensações mais deliciosas que meu corpo pode me proporcionar.  
Certa vez, me questionaram, se o orgasmo feminino era melhor que o masculinho. Sinceramente, não sei explicar. Os dois são ótimos. Chegar ao “Nirvana” e ficar lá por alguns segundos é a coisa mais deliciosa do mundo. Mas não sei dizer se um é melhor do que o outro. Mas devo confessar que são diferentemente deliciosos! O orgasmo masculino é algo que começa internamente e à medida que se ejacula vai se externando. Já o orgasmo feminino é algo totalmente interno: inicia-se e dissipa-se todo dentro de você.
Outra pergunta que me fizeram, era se qualquer homem conseguia me proporcionar prazer. Bom..., no bico dos seios sim. Alias, acho que até se um Alienígena tocar nos meus seios, eu sentirei prazer. Mas, deixo claro, não é qualquer homem que me proporciona prazer em outras partes do meu corpo. Os que me levam ao êxtase são os que tenho maior afinidade. Os que me dizem “útero”, ou seja, que me dizem algo além da cama. Até para que ninguém pense que se tomar hormônios, vai vivenciar a mesma experiência que eu. Não se trata disso.  Chegar ao orgasmo vai muito além de ser penetrada. Transcende ao contato puramente físico. É um misto de todos os sentidos, aliados ao afago emocional proporcionado por muito poucos homens. Talvez, aos mais sensíveis. Aqueles que se deitam na cama com você, não para ter prazer, mas sim para dar prazer. O prazer deles é lhe dar prazer. É ver que você está completamente inebriada em sua presença e em sua atitude.
Engraçado como o ser humano é curioso, né? Cria vários preconceitos em torno da sexualidade de uma boneca. Varias pessoas me perguntam, até com certo tom de afirmação, se o homem que sai com boneca não é homo ou bissexual. Sei que é um certo paradoxo tocar nesse tema, mas se um homem gosta de sair com outro homem, não vejo nexo em sair comigo e eu ainda precisar me transformar para tal, certo? Parto deste princípio. Aliás, não tenho nenhum tipo de preconceito, mas para tocar no meu corpo – tem de ser hetero, ou melhor, exclusivamente hetero. A qualquer indício contraditório, descarto na hora da minha lista. Homens que saem com homens, embora não se considerem homossexuais, por não estarem envolvido afetivamente com o outro, são no mínimo bissexuais. Particularmente, só me envolvo com os heteros que curtem somente a figura feminina. Sei que para algumas pessoas é difícil aceitar essa minha explicação, mas só sendo boneca ou o homem que sai com a gente para entender o que estou dizendo. Rs...
O preconceito ainda é enorme. Até mesmo por parte da maioria dos homens que saem com bonecas. Embora, tenham convicção de que são heteros, o fato da sociedade associá-los a outra classe é, demasiadamente, constrangedor para preferirem viver esse desejo sexual no anonimato.
Tenho vários amigos heteros que nunca se preocuparam ou se opuseram em estar ao meu lado "outdoors" por eu ser uma boneca. Muito pelo contrario, me sinto muito querida e protegida ao lado deles em qualquer lugar. Sinto-me muito feliz pelo zelo e carinho proporcionado por esses poucos homens, que “ladram aos cães”.
Meu maior sonho é, um dia, viver em um mundo em que possa ser considerada como o terceiro sexo e levar um cotidiano normal. Ir ao mercado, ao cinema, ao shopping e etc, sem aquela sensação de estar toda “cagada”, pois é exatamente esta a sensação que tenho, toda vez que sou olhada, apontada e cochichada pelos outros na rua. Qdo isso acontece, eu penso logo:

"Ai, meu Deus... Devo estar toda ca-ga-da..." Rs...

domingo, 7 de agosto de 2011

Homens são de Marte, mulheres são de Vênus e bonecas são Júpiter (4º Post)



Que os homens são totalmente diferentes das mulheres, isto é fato e completamente notório, desde nossos primórdios.
A praticidade masculina é algo que me fascina. Eles vivem nos melhores dos mundos. Suas grandes preocupações são: ter um bom emprego e ter um mega automóvel importado, e lógico, na “night” poder pagar uma bebidinha para uma gatinha, no intuito de levá-la pra cama – que simplicidade útil, né? Imagina se todo mundo fosse assim? Não adianta nem dizer que seria uma monotonia, porque não seria. Essa coisa que dizem por aí – “o que seria do azul, se não fosse o rosa” – é apenas um jargão totalmente sem nexo, utilizado por pessoas que não aceitam a filosofia masculina como sendo a melhor filosofia de vida. 
Sou muito suspeita em falar... rs... Não sei vocês, minhas seguidoras, mas eu ADOOORO homem. O melhor é que não gosto apenas de uma única coisa – eu gosto de tudoooo! O cheiro, o toque, a atitude, os pelinhos do peito, a barbinha por fazer, até do ronco, eu adooooro! Rs... Abrindo um parêntese aqui: “Gosto do cheiro de homem cheiroso, é claro!”
Homem diz sim ou não ao “pê da letra”. Ou é, ou não é. Não tem meio termo. Lógico que, às vezes, nos magoa, pois não é o que geralmente queremos ouvir. Tenho muitas amigas, que tento catequizá-las para entender esse universo que, tanto, nos dá prazer. Amigas que vivem em um mundo imaginário, querendo que os homens ajam exatamente como elas gostariam. Se você é uma dessas, se afogue! Isto nunca vai existir.
Mulheres já são chatinhas. Desculpem-me, mas vocês sabem o que estou dizendo, né? Não todas – é claro! Toda regra tem a sua exceção. Mas, estatisticamente, de um grupo de 10 mulheres, 8 são chatas. Quando me refiro a serem chatas, quero dizer... hummmm.... Bem, quero dizer: “frescas”.
Meninas, lembre-se que homens não têm muito saco para as frescuras ou TPM de vocês. Só fingem que aturam. Logo, sejam mais práticas. Querem dar pra eles, dêem sem ter que esperar 3 meses ou o 6º encontro. É..., meninos, tenho amigas que usam esta medição. Mesmo que as piriquitas delas estejam em brasas ou coçando, elas só lhes farão felizes mesmo depois que alcançarem suas metas pré-estabelecidas. Isto não é coisa de loucas? Ou melhor, de frescas?
Meu amor..., estamos em pleno século XXI e reencarnamos para sermos felizes e vivermos a vida intensamente; então, não percam tempo querendo dissimular a vontade das suas “xaninhas”. Isto é maldade com a bicinha. Rs... Lembrem-se que existem milhares delas por aí. E ainda existem a nossa concorrência: a das bonecas sapecas, serelepes e sagazes prontas para o abate! Saibam, ainda, que lançamos mão das nossas armas mais poderosas e afiadas quando vamos pra “guerra”. Enquanto vocês, na maioria das vezes, nem as utilizam pelo medo do que eles vão dizer ou pensar. Eles podem até pensar, mas dizer jamais.
Nós, bonequinhas, já não fazemos a linha dissimuladas e nem nos fazemos de rogadas na hora que somos caçadas. Deixamo-nos ser arrebatadas e só nos damos por satisfeitas, depois de derrotadas, quando suspiramos olhando pra aquele homem lindo e gostoso e pensamos: “Ai..., como eu sou bandida.” Rs...
Somos de Júpiter, mas utilizamos a velocidade da luz para transitar por Marte e Vênus sem a menor cerimônia. Talvez, esteja aí o grande mistério da sedução.
“Me deixa maluca!
Tira o mel da fruta.
Me mata de amor!
Me mata de amor!
Me pega no colo;
Me olha nos olhos;
Me beija que é bom!
Me beija que é bom!”


Cenas do próximo capítulo:
“O ponto X da questão.”

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Quando tudo começou (2º Post)

“Tudo começooou, há um tempo atrás, na Ilha do Sollll...”
Não lembro direito quando tudo realmente começou, só lembro, na verdade, quando me decidi em ser boneca.
Na minha infância, ainda menino, brincava de carrinho. Eram uns carrinhos (miniaturas) de ferro. Que, por sinal, adorava. Na época, passava um seriado de aventuras chamado “As Panteras” e a motorista do meu carrinho era sempre a personagem interpretada pela atriz Farrah Fawcett, aquela loura linda e sensual.
Morava em uma rua que só vivam parentes. Uma tia velha, que não tinha nada para fazer, costumava pintar as pedras da rua, desenhando casas, cogumelos e etc. Ao lado do meu portão, existia uma grande pedra que ela havia pintado uma casa de dois andares. Lembro que o estacionamento dos meus carrinhos era no teto da casa. Futurista já dede de pequena. Ali era o meu lugar predileto. Lugar onde mais gostava de brincar com meus carrinhos. Passava horas brincando, sem ninguém jamais imaginar que naquela simples e ingênua brincadeira de menino, já eram latentes os meus desejos mais íntimos. Nem eu mesma imaginava, alias não entendia nada. Mas brincava e amava ser uma das panteras. Na altura, eu devia ter uns 5/6 anos.
O tempo foi passando, colégio, amigos, família... Confesso que achava tudo muito estranho. Sentia-me um E.T. no meio de todos. Por que meus gostos eram diferentes? Não sabia explicar e nem me achava confortável para me abrir com alguém. Abrindo um parêntese: “Sou filha de criação e, na época, achava que se eles descobrissem que era diferente dos demais meninos, seria um motivo para me entregarem de volta para meus pais biológicos. Já os amava profundamente e em tempo algum suportaria a dor de viver longe deles.”
Achava as meninas sem graça, mas adorava brincar com elas. As coisas delas me encantavam: bonecas, borrachas, lápis coloridos, estojos todos decorados de gliteres, papeis de carta com cheirinho (sempre tive vontade de colecionar, mas não podia – não era coisa de menino). Por outro lado, achava os meninos engraçadinhos demais, me despertavam alguma coisa que não sabia explicar direito, só sabia que era uma sensação deliciosa; porém, não tinha saco pra brincar com eles (futebol, bolinha de gude, pique-pega – ai... achava tudo um saco). Vivia amores platônicos e inimagináveis com professores, amigos de classe, primos, amigos de ruas, amigos dos meus pais; enfim, sem entender já sabia que era diferente de alguma forma.
Os anos se passaram. Fui crescendo e cada vez mais o medo me assombrava. A primeira experiência sexual com meu primo foi aos 12 anos (ele tinhas 15 anos) e, também, o primeiro amor não correspondido. Ficamos nesse romance (da minha parte) velado por longos 4 anos. Sempre nos encontrávamos finais de semanas, férias, viagens e etc. tudo era motivo pra tomarmos banho juntos ou dormirmos no mesmo quarto, no intuito de que rolasse aquela sacanagem gostosa e inocente.
Lembro também que quando meus pais saiam, eu corria para o guarda-roupa da minha mãe. Vestia-me com sua saia, salto alto e sutiã. Passava batom e ficava horas em frente ao espelho, me deliciando com aquela visão. Girava, girava... ria..., me derretia em gargalhadas, depois me jogava sobre a cama exausta e ficava viajando em meus pensamentos, imaginando como seria maravilhoso se tudo fosse diferente.
Essa coisa de boneca já era latente desde muito nova, mas foi podada pelo medo e ali ficou adormecida até o Carnaval até 2008. Eu e mais 3 amigos resolvemos nos fantasiar de colegial e fomos brincar nas bandas do Rio de Janeiro. Nossa, foi o fervo! Naquele momento, percebi que tinha achado o que tanto procurava - minha identidade perdida na infância.
Vi que existia um público que eu amava – o heterossexuais que adovam bonequinhas. Fiquei louca. Só gato querendo me bolinar (rs...), me beijar... O assédio era uma loucura prazerosa. E foi então que decidi ser feliz! Já havia mostrado para todos quem eu era: uma pessoa honesta, do bem, ajuizada e etc. E, finalmente, chegava a hora de deixar sair de dentro de mim a mulher que há muito tempo havia sido enclausurada, amordaçada e presa aos grilhões de uma sociedade preconceituosa e demagoga.
Comecei a montar meu closet. No começo era tudo errado: roupas horrorosas e medonhas; a maquiagem toda “fusada”; o chuchu, as axilas e as pernas de caranguejo gritando - o demônio em pessoa. Mesmo assim a agenda era cheia. Várias gracinhas solteiras, noivas ou casadas me procuravam para momentos de prazer e glória. Percebi também, nesta época, que homem não tem muito critério na hora do tesão. Eles querem é gozar. Não importa se vc é gorda, vesga, se tem celulites ou estrias. Se vc o tratar com carinho e tiver uma boquinha macinha e quente e um buraquinho úmido para ele afogar o ganso, eles caem dentro e ainda lambem os beiços. Para vocês terem uma noção, certa vez falei pra um amigo: “Nossa, vocês são guerreiro, hein? ”A resposta da beldade pra mim foi: “Melhor dormir com a barriga cheia, do que com fome”. Ou seja, não dê para o seu namorado não, e ele vai se satisfizer com qualquer monstrinho que sorrir pra ele.
Hoje em dia, escolho os gatinhos que quero. Mas uma coisa me intriga. Às vezes, fico me perguntando se eu tenho cara de professora, porque o que aparece de curiosos querendo sair comigo (curiosos = homens que dizem nunca ter saído com bonecas, mas que estão dispostos a ter sua primeira experiência antes que seja tarde de mais.)
 “Eu vou ficar aqui até acabar a festa, se ela ainda não chegou, esperara por ela é o que me resta, nenhuma pessoa mais me interessa... Por isto, toquem a música bem alto e façam meu corpo dançar. Por isto, toquem a música alto, bem alto e façam o tempo passar.” 

Cenas do próximo capítulo:
“Nem tudo são flores.”

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Blu Ray (1º Post)

Aos olhos do mundo, ou melhor, aos olhos dos “cegos” por opção e hipócritas por negligência, ser uma “Blu Ray” parece insanidade. Mas, em se tratando de uma orientação alheia a vontade humana, é a coisa mais fantástica e prazerosa do mundo. É o momento em que se pode ser o que se quer e nas devidas proporções que seu corpo permitir.
Bom, deixa me apresentar: Meu nome C. L. Assis, tenho 33 anos e 1,75m. Fisicamente não vou me descrever, pois no álbum de fotos poderão ver como sou. Sou do nicho das bonecas, categoria das que não fazem programas e classe das Blu Rays. 
Blu Rays foi uma definição dada por um amigo, que achei ótima e muito oportuna, por sinal. O mesmo, certa vez, me disse que não poderia ser classificada como CD (CrossDresser), pois minha tecnologia era “high tech”; portanto, não poderia jamais ser taxada como CD ou DVD (Rs...), que eu era mesmo uma Blu Ray. Gostei tanto da definição, que resolvi adotar esta.
Fiquei bastante comovida e sensibilizada ao notar que aos olhos alheios existe um critério de avaliação, pois teria sido em vão os diversos investimentos, muitos deles doloridos, que tenho arrolado por todo meu corpo (laser, drenagens, estéticas e etc.). Tudo no intuito de ficar do jeito que quero ser.
Devo confessar também que isso é um ciclo vicioso. Começamos retirando os pêlos excessivos de nosso corpo (no meu caso tive sorte de ter nascido toda lisinha). Mas começamos acertando as sobrancelhas, fazendo laser no rosto, axilas, virilhas, pernas; enfim, vamos limpando todo o corpo, sem deixar um resquício ou vestígio de pêlo. Depois vêm as unhas, a marquinha de biquínis, os hormônios e por aí vai... Quando nos damos por conta, já nos transformamos em uma boneca. Vamos que vamos, sem ter noção direito da hora certa de parar. Mas uma coisa é fato: não tem retorno.
A matemática é simples: o assédio, o carinho e a generosidade masculina são diretamente proporcionais ao grau de feminilidade que atingimos, ou seja, quanto mais femininas, mais assediadas e desejadas nos tornamos (Fórmula: Acg = n x f).  Já cheguei a um nível que deixei de ser apenas a escolhida pelos homens para escolhê-los. Hoje em dia, ganho até bichinho de pelúcia – não é fofo???
Embora isto tudo não seja algo tão novo assim pra mim (lá se vão 4 anos de estrada a fora) , às vezes me surpreendo com certas passagens e acabo achando que sou louca. kkk... Mas no final, a verdade é que divirto-me e muuuuuito!
“... mas louco é quem me diz que não é feliz... Eu sou feliz!”

Cenas do próximo capítulo:
“Quando tudo começou.”