sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um eu que eu não conheço (9º Post)



Sinto que algo mudou, ou melhor, que está mudando muito rápido. Às vezes até me assusto. Estou dormindo obsoleta e acordando atualizada. Atualizada em um corpo de mulher, embora, a mente esteja ainda muito confusa.
Já não penso e nem ajo como antes. Tenho súbitos andrógenos que me impulsionam a desejos mais exacerbados e menos ortodóxos; porém, uma coisa estranhamente forte e totalmente feminina me inibe de torná-los realidades. Sabe quando se está empolgado com certa coisa e logo vem um balde de água fria para acalmar os ânimos? É assim que tem acontecido comigo. Estou ainda num processo de adaptação à minha nova realidade, às novas curvas do meu corpo e à forma com que ele reage a certos impulsos.
Outrora, o sexo era a causa para eu conhecer alguém, agora ele se tornou definitivamente a conseqüência.  Num passado, não muito remoto, queria bater recordes. Superar a mim mesma. Era a quantidade que importava e não a qualidade. Eram gordos e magros, velhos e novos; enfim..., de marcianos a terrestres. Hoje, minha libido, ainda que esteja à flor da pele, necessita de estímulos muito mais arrebatadores para que me renda ao coito.
Sempre usei a máxima de que gostava de homens, mas que não era de qualquer homem. Agora, a máxima é que gosto de homens, mas os que dizem-me “útero”. Ou seja, tem que ser aquele que mexa comigo íntima e psicologicamente. Não adianta ter apenas um rostinho bonito ou um corpo escultural. Tem que ser o que consiga me cativar e mostrar que está disposto a me seduzir e, além disso, ter conteúdo. Missão impossível para alguns, né? A grande maioria só pensa em realizar suas necessidades fisiológicas ou noturnas urgentes.
Depois que conheci meus amiguinhos “D” e “A” (os hormônios que uso), não tenho sentido vontade de “bater bolo” (bater bolo = se masturbar). Aliás, não lembro mais qual foi a última vez que fiz isto. O fato é que os efeitos causados por meus amiguinhos fizeram tudo mudar dentro de mim. Para ficar no ponto de abate (rs...) tem que existir preliminares “calientes”. O carinho antes do sexo potencializa todos os sentidos do meu corpo, me deixando a beira do êxtase. Mas isso não é um prazer que qualquer homem me proporciona. Há homens e homens.
Meninos, lembrem-se que as mulheres levam um tempo maior para se excitarem? Rs... Em qualquer manual de bê-a-bá sexual, vocês aprenderão isso: que tem de ter toda uma preliminar para que elas fiquem no ponto certo para o abate? Mas também não é tão difícil assim, eu pelo menos tenho pontos chaves pelo meu corpo, que me empurram lá para frente, já me colocam na eminência do orgasmo. Mas poucos descobriram esses pontos, ou melhor, tiveram tempo para descobrir.
Pois bem, assim que o meu corpo tem funcionado. Se o homem vem querendo sexo, como se fosse um animal no cio, meu corpo nem dá sinal de vida. Mas se vem com outra proposta, com beijinhos e carinhos, as coisas mudam de figura e meu corpo responde prontamente. Porém..., entretanto, todavia..., devo confessar que estou demorando um pouco para chegar ao orgasmo simplesmente com a penetração.
Às vezes, penso em parar com os hormônios, mas, imediatamente depois, desisto da idéia. Só em pensar que voltaria a não ter critério como antes, querendo apenas satisfazer o prazer do meu corpo, já é o suficiente para abdicar desse pensamento venenoso. E o prazer da minha mente como satisfazer? Pelo menos a minha compulsão sexual de antes amenizou e muito. Agora, encontro tempo para fazer outras coisas simples da vida, como: sair com amigos para um chopinho, ir ao teatro, ir ao cinema, comer pipoca, ir à praia pegar um solzinho e ficar ouvindo o barulho do mar. Não que fazer sexo não seja bom, mas, hoje em dia, estou preferindo fazer amorzinho.
Lembro que não via a vida passar. Ficava trancafiada dentro de casa recebendo visitas, que no final do dia não tinham me acrescentado, absolutamente, nada. E o vazio era imenso, quando pairava minha cabeça sobre travesseiro na hora de dormir.

Embora, hoje, não me reconheça por completo, tenho certeza que mudei. Mudei para muuuuuito melhor.
Beijinhos e até a próxima blogada.

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