quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entendendo o Universo das Bonecas (10º Post)

Hoje, vou abrir um parênteses no blog para abordar um tema que, tenho certeza, vai ajudar muita gente a entender melhor o universo das bonecas. Pode até parecer que não, mas os desejos e percepções de vida das bonecas são bem distintos e bastante definidos.
Muitos ficam na dúvida da real diferença entre uma boneca e uma travesti, por exemplo. Bom, deixa explicar: boneca é o conjunto, e travesti é o elemento deste conjunto, assim como as transexs, as blu rays, as CDs e as CDZudas, todas são elementos desde conjunto chamado bonecas. Veja no diagrama abaixo:


Outra coisa que também confunde bastante a cabeça da maioria das pessoas é a diferenciação entre Blu Ray, CD e CDzuda. Vou descrever mais claramente essa diferença. Não mencionarei os outros tipos de bonecas (travestis e transexuais) por entender que essas diferenças já sejam bastante conhecidas de vocês e para simplificar, uma tem “pinto” e a outra não.
Pela etimologia da palavra, Crossdresser, freqüentemente abreviado como CD, é uma palavra originária da língua inglesa, onde cross significa “oposto, contrário”; e dresser significa “o que veste, enfeita, adorna, prepara, arranja”. Logo, CrossDresser é o que se veste ao contrário. Refere-se às pessoas que vestem roupas ou usam objetos associados ao sexo oposto, seja pelo desejo de se vivenciar uma faceta feminina (para os homens), masculina (para as mulheres) ou por motivos profissionais (os transformistas ou o equivalente em inglês às Drags-Queens – DRessed As a Girl, vestidas como uma menina), ou ainda para obter gratificações sexuais e outras. Não tem nada a ver com orientação sexual. O crossdresser, no entanto, pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade.
Os crossdressers, geralmente, não utilizam nenhum tipo de terapia hormonal ou intervenção cirúrgica. Como dito acima, são implicados apenas em se travestir de acordo com suas vontades.
As CDZudas, termo abrasileirado do original (crossdresser), refere-se àquelas que gostam de se vestir apenas pelo prazer sexual, puro e simplesmente, pago ou gratuito e sem envolvimento afetivo, visto que vivem na clandestinidade e, que por necessidade ou medo, não podem se assumir perante a sociedade.
São consideradas os abutres do conjunto bonecas. Como os crossdressers, também não fazem terapias hormonais ou cirúrgicas. Muitas nem se depilam ou usam maquiagem. São constituídos pelo os homossexuais, assumidos ou não, que se vestem com adornos femininos extravagantes e sem critério. Usam roupas surradas que a mãe, irmã ou alguma uma tia velha disponibilizou para doação. Produzem-se com algumas poucas peças. Geralmente, quando vão receber visita íntima, estão de calcinha, sutien,  meia calça e salto alto. Quando usam perucas, são aquelas de nylon, que com o tempo vira uma piaçava de vassoura; ou ainda aquelas de canecalon, com cheiro misto de naftalina e mofo, da avó que morreu. No caso das CDZudas casadas, muitas usam roupas das próprias esposas, sem essas saberem, é claro.
Caçam homens em salas de bate-papo da internet ou de telefone. Gostam de receber suas vítimas na penumbra ou na total escuridão para que oculte ou suavize a silhueta masculina e o rosto acinzentado e sombreado pelo “chuchu” mal feito (chuchu = barba).
Não saem para baladas heterossexuais, pois são alvos de chacota por suas figuras caricatas e jeito desengonçado de andar e agir. A voz grossa desestimula qualquer pretendente. Quando saem, preferem lugares escuros e sombrios também. Agem como verdadeiros vampiros, quanto são expostas à luz. Curtem viver nas trevas por vários fatores fisiológicos, visuais e estruturais.
Usam três meias calças ou meias arrastões para camuflar as pernas cabeludas de caranguejos. Usam camisas de manga comprida e gola alta para esconderem os pêlos do peito e dos braços. Isso quando usam. Muitas nem com isso se preocupam. Algumas abatem suas vítimas deixando-os mesmo à amostra.
Quando não pagam para ter prazer, pagam o lanchinho ou a passagem para a vítima voltar para casa.
Blu Ray ainda não é um termo registrado em lugar algum. Foi concebido por mim de uma forma tão carinhosa. Que resolvi utilizá-lo de modo a destacar a classe das bonecas mais afetuosas.
Utilizando o comentário de um amigo no primeiro post, quando o mesmo disse que a minha tecnologia era mais avançada, portanto, não poderia ser classificada como CD e nem DVD, e sim como Blu Ray. Assim sendo, lancei mão de utilizar essa terminologia para destacar essas bonequinhas carinhosas.
As Blu Rays são as bonecas que têm em mente sua completa transformação em um futuro muito próximo. Algumas almejam ser transexs e outras apenas travestis mesmo. Mas já carregam em suas entranhas a vontade latente de se transformar e viver 24h por dia como uma boneca.
Na verdade, começam por um processo diferente da maioria das travestis. Em momento algum pensam no sexo como objeto de trabalho, ou seja, não existe a hipótese de prostituição como forma de sobrevivência. Por isso, como o intuito não é o de viverem à margem da sociedade, começam trilhar a vida baseada na independência cultural, social e financeira e, só depois, já estabilizadas passam a se transformar.
O grande responsável pela demora em sua total transformação, geralmente, é o ambiente profissional. Embora, algumas empresas já tenham códigos de éticas publicados, observando o Princípio da Igualdade na esfera empresarial, ainda existe um preconceito velado no que tange a se ter uma travesti no quadro de funcionários ou, muito menos, exercendo cargo de liderança ou executivo dentro da mesma. Talvez, seja porque o ícone travesti, erroneamente, ainda esteja associado a um objeto sexual.
Blu Rays são bonecas que interagem com a sociedade. Circulam tranquilamente pelas ruas, boates e festas (heterossexuais), praias, bares e restaurantes, shopping, cinemas e etc. Não curtem o mundo gay, embora algumas vezes são vistas transitando por alguns guetos desse gênero.
Utilizam terapias hormonais e intervenções cirúrgicas. São totalmente desprovidas de pêlos, tanto na face quanto no resto do corpo.
Possuem guarda-roupas completos e variados, pois fora do trabalho vivem normalmente no seu dia-a-dia como boneca.
O sexo para elas não está baseado em prazer somente. Portanto, se um homem a procura, exclusivamente, para obter prazer sexual, deve retirar o cavalinho da chuva, pois elas só se abrirão para aqueles que tenham algo a oferecer afetivamente. Buscam companheirismo em seus parceiros e geralmente, são as que têm namorados fixos. Pensam e agem exatamente como as mulheres.
Ufá...! Espero ter lhes esclarecido.
Caso tenha ficado algum ponto sem entendimento, não hesitem em contactar-me.
Um cheiro grande para vocês.
Até o próximo post.

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