quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Isto é conversa de Blu Rays... (11º Post)



from: Claudinha 
to: Michele
date: Wed, Sep 28, 2011 at 12:18 PM
subject: Re: Bom diaaaaa!


Bom dia, minha flor de primavera!


Hum....,  que delícia, gata! Que tudo! Amei...
Mas homem sempre tem o prazer de estragar tudo, né? A libido deles é diferente da nossa. Aliás, nem acho que seja totalmente culpa da libido. O nosso "timing" mesmo que agora se faz diferente. Pra nos excitarmos ao ponto de uma entrega total é mais dificil, sei lá. Tem que ter um algo a mais, algum tipo de encantamento.

Qdo algum homem fala besteira pra mim, tenho vontade de mandá-lo ir à merda. Mas tento ter paciência, pq sei que estou muito estranha mesmo. E o mais engraçado de tudo é que estamos tendo as mesmas experiência físicas e psicológicas no mesmo momento e isso é muito legal, pois podemos trocar experiências.

Não é só sexo. É algo mais que a gente procura, que eu sinceramente não seio o quê? Rs...  Parece louco, né? Mas é a cabeça de mulher aflorando cada vez mais.

Uma coisa é fato, talvez pq vc ainda não tenha encontrado a pessoa certa, mas se entregar a quem vc gosta e ma-ra-vi-lho-so. Nossa, o toque é diferente. Ele toca o seu rosto e sua piriquita treme de vontade. Amiga, eu tenho gozado com mamadas em meus seios, vc acredita? Isso nunca tinha me acontecido na vida. Eu não sei com que defeito eu vim de fábrica, mas vc sabe que os bicos dos meus seios parecem grelo, cheios de terminações nervosas... kkk... Só tocar neles e eu fico igual a Shakira: Louca, louca, louca... rs...
Mas esse seu momento vai chegar. Se entregue ao M* e vc vai ver que loucura que é. Pena que ele esteja "marcando touca" com vc.

Mudando de assunto...
Menina, estou achando meus peitinhos mega-gigantes. Definitivamente, não dá mais pra esconder. Mas está tão bonitinhos... Rs... As auréolas estão estufando. Do jeito que sempre sonhei em ter um. Sabe que dá até vontade de mamar meus próprios peitinhos... kkk... Já tentei até me contorcer pra chegar neles com a boca, mas não dá. Acho que preciso fazer anos de alongamento pra isso acontecer. No máximo, o que consegui, foi passar a língua nos mamilos, mas achei tão sem graça e tb nem senti nada. Tem que ser a boca do meu gatinho mesmo... kkk... Engraçado que qdo encontro com meu bb, fico rezando baixinho: "Aí, tomara que ele pegue nos meus peitinhos" rs... Tô adorando. Aliás, qdo ele pega... Hum... Ele é muito gulosinho... rs... Parece um bbzinho em fase de amamentação.

Bjinhos cheios de saudades,

Claudinha das Peitolasgozantes.
:)


from: Michele
to: Claudinha
date: Wed, Sep 28, 2011 at 11:20 AM
subject: Bom diaaaaa!

Bom dia garotinha lourinha!!!

     Ai amiga ontem o jantar foi incrível! Ainda estou até agora meio que em transe!Ele passou  lá em casa pra me pegar 19hs.Pra começar ele subiu pra me pegar, achei ótimo! Descemos juntos.Apertei o foda-se e o "não to nem ai" caso encontrasse alguem do prédio.Mas como não cruzo com quase ninguem ,talvez pq o prédio é pequeno com poucos apartamentos, então essa 1a parte foi fácil. Ai quando chegamos no carro dele, ele gentilmente abriu a porta pra eu entrar! E depois foi pro lado dele. Me perguntou o que eu gosto de comer, falamos amenidades e ai ele me levou num restaurante pequeno, charmoso, achei ótimo. Alias fui comportada! Aquele longo que usei na TW lembra? E um bolerinho.Pouquíssimo make. E cabelos soltos,rs.Nossa gata, sabe que me senti a pessoa mais comum e normal do mundo? Ele pediu uma entrada, escolhi um prato de massa pra mim,e tudo correu super bem. Tomamos tb um vinho.E ele toda hora te ntava colocar as mãos emcima das minhas, acredita? Ai amiga....acho que estou viajando....! No final,me fiz de mona e nem me cocei pra pegar a bolsa ou expressar qq gesto na hora que veio a conta, que naturalmente o garçon entregou pra ele que pagou a conta com a maior naturalidade.
     Fomos para o carro e ai....ele me convidou a ficar mais a vontade com ele, e muito sem jeito me perguntou se eu ficaria ofendida de ir a um motel com ele, acredita? Ai gata, eu quase aceitei, mas preferi não. Não sei, mas apesar de todo esse enredo e tals, eu não me senti ainda com vontade de me entregar pra ele...que coisa de doido!!!O que está acontecendo com a minha cabeça irmã?? Ficamos passeando pela cidade, conversando....Acho que estou pirando....em Pira, literalmente!Rs. Mas enfim, ele aceitou numa boa e pediu desculpas por ter se precipitado ,acredita?My god! Ai gata não sei se quero algo mais com ele...ando tão sem libido....! Prefiro conhece-lo  melhor se for o caso...mas sei lá, acho que ainda não é esse o caso...ai amiga, to estranha demais!

bjos miga

Michelinha Almostcrazy
:(

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Entendendo o Universo das Bonecas (10º Post)

Hoje, vou abrir um parênteses no blog para abordar um tema que, tenho certeza, vai ajudar muita gente a entender melhor o universo das bonecas. Pode até parecer que não, mas os desejos e percepções de vida das bonecas são bem distintos e bastante definidos.
Muitos ficam na dúvida da real diferença entre uma boneca e uma travesti, por exemplo. Bom, deixa explicar: boneca é o conjunto, e travesti é o elemento deste conjunto, assim como as transexs, as blu rays, as CDs e as CDZudas, todas são elementos desde conjunto chamado bonecas. Veja no diagrama abaixo:


Outra coisa que também confunde bastante a cabeça da maioria das pessoas é a diferenciação entre Blu Ray, CD e CDzuda. Vou descrever mais claramente essa diferença. Não mencionarei os outros tipos de bonecas (travestis e transexuais) por entender que essas diferenças já sejam bastante conhecidas de vocês e para simplificar, uma tem “pinto” e a outra não.
Pela etimologia da palavra, Crossdresser, freqüentemente abreviado como CD, é uma palavra originária da língua inglesa, onde cross significa “oposto, contrário”; e dresser significa “o que veste, enfeita, adorna, prepara, arranja”. Logo, CrossDresser é o que se veste ao contrário. Refere-se às pessoas que vestem roupas ou usam objetos associados ao sexo oposto, seja pelo desejo de se vivenciar uma faceta feminina (para os homens), masculina (para as mulheres) ou por motivos profissionais (os transformistas ou o equivalente em inglês às Drags-Queens – DRessed As a Girl, vestidas como uma menina), ou ainda para obter gratificações sexuais e outras. Não tem nada a ver com orientação sexual. O crossdresser, no entanto, pode ser heterossexual, homossexual, bissexual ou assexual. O crossdressing também não está relacionado com a transexualidade.
Os crossdressers, geralmente, não utilizam nenhum tipo de terapia hormonal ou intervenção cirúrgica. Como dito acima, são implicados apenas em se travestir de acordo com suas vontades.
As CDZudas, termo abrasileirado do original (crossdresser), refere-se àquelas que gostam de se vestir apenas pelo prazer sexual, puro e simplesmente, pago ou gratuito e sem envolvimento afetivo, visto que vivem na clandestinidade e, que por necessidade ou medo, não podem se assumir perante a sociedade.
São consideradas os abutres do conjunto bonecas. Como os crossdressers, também não fazem terapias hormonais ou cirúrgicas. Muitas nem se depilam ou usam maquiagem. São constituídos pelo os homossexuais, assumidos ou não, que se vestem com adornos femininos extravagantes e sem critério. Usam roupas surradas que a mãe, irmã ou alguma uma tia velha disponibilizou para doação. Produzem-se com algumas poucas peças. Geralmente, quando vão receber visita íntima, estão de calcinha, sutien,  meia calça e salto alto. Quando usam perucas, são aquelas de nylon, que com o tempo vira uma piaçava de vassoura; ou ainda aquelas de canecalon, com cheiro misto de naftalina e mofo, da avó que morreu. No caso das CDZudas casadas, muitas usam roupas das próprias esposas, sem essas saberem, é claro.
Caçam homens em salas de bate-papo da internet ou de telefone. Gostam de receber suas vítimas na penumbra ou na total escuridão para que oculte ou suavize a silhueta masculina e o rosto acinzentado e sombreado pelo “chuchu” mal feito (chuchu = barba).
Não saem para baladas heterossexuais, pois são alvos de chacota por suas figuras caricatas e jeito desengonçado de andar e agir. A voz grossa desestimula qualquer pretendente. Quando saem, preferem lugares escuros e sombrios também. Agem como verdadeiros vampiros, quanto são expostas à luz. Curtem viver nas trevas por vários fatores fisiológicos, visuais e estruturais.
Usam três meias calças ou meias arrastões para camuflar as pernas cabeludas de caranguejos. Usam camisas de manga comprida e gola alta para esconderem os pêlos do peito e dos braços. Isso quando usam. Muitas nem com isso se preocupam. Algumas abatem suas vítimas deixando-os mesmo à amostra.
Quando não pagam para ter prazer, pagam o lanchinho ou a passagem para a vítima voltar para casa.
Blu Ray ainda não é um termo registrado em lugar algum. Foi concebido por mim de uma forma tão carinhosa. Que resolvi utilizá-lo de modo a destacar a classe das bonecas mais afetuosas.
Utilizando o comentário de um amigo no primeiro post, quando o mesmo disse que a minha tecnologia era mais avançada, portanto, não poderia ser classificada como CD e nem DVD, e sim como Blu Ray. Assim sendo, lancei mão de utilizar essa terminologia para destacar essas bonequinhas carinhosas.
As Blu Rays são as bonecas que têm em mente sua completa transformação em um futuro muito próximo. Algumas almejam ser transexs e outras apenas travestis mesmo. Mas já carregam em suas entranhas a vontade latente de se transformar e viver 24h por dia como uma boneca.
Na verdade, começam por um processo diferente da maioria das travestis. Em momento algum pensam no sexo como objeto de trabalho, ou seja, não existe a hipótese de prostituição como forma de sobrevivência. Por isso, como o intuito não é o de viverem à margem da sociedade, começam trilhar a vida baseada na independência cultural, social e financeira e, só depois, já estabilizadas passam a se transformar.
O grande responsável pela demora em sua total transformação, geralmente, é o ambiente profissional. Embora, algumas empresas já tenham códigos de éticas publicados, observando o Princípio da Igualdade na esfera empresarial, ainda existe um preconceito velado no que tange a se ter uma travesti no quadro de funcionários ou, muito menos, exercendo cargo de liderança ou executivo dentro da mesma. Talvez, seja porque o ícone travesti, erroneamente, ainda esteja associado a um objeto sexual.
Blu Rays são bonecas que interagem com a sociedade. Circulam tranquilamente pelas ruas, boates e festas (heterossexuais), praias, bares e restaurantes, shopping, cinemas e etc. Não curtem o mundo gay, embora algumas vezes são vistas transitando por alguns guetos desse gênero.
Utilizam terapias hormonais e intervenções cirúrgicas. São totalmente desprovidas de pêlos, tanto na face quanto no resto do corpo.
Possuem guarda-roupas completos e variados, pois fora do trabalho vivem normalmente no seu dia-a-dia como boneca.
O sexo para elas não está baseado em prazer somente. Portanto, se um homem a procura, exclusivamente, para obter prazer sexual, deve retirar o cavalinho da chuva, pois elas só se abrirão para aqueles que tenham algo a oferecer afetivamente. Buscam companheirismo em seus parceiros e geralmente, são as que têm namorados fixos. Pensam e agem exatamente como as mulheres.
Ufá...! Espero ter lhes esclarecido.
Caso tenha ficado algum ponto sem entendimento, não hesitem em contactar-me.
Um cheiro grande para vocês.
Até o próximo post.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Um eu que eu não conheço (9º Post)



Sinto que algo mudou, ou melhor, que está mudando muito rápido. Às vezes até me assusto. Estou dormindo obsoleta e acordando atualizada. Atualizada em um corpo de mulher, embora, a mente esteja ainda muito confusa.
Já não penso e nem ajo como antes. Tenho súbitos andrógenos que me impulsionam a desejos mais exacerbados e menos ortodóxos; porém, uma coisa estranhamente forte e totalmente feminina me inibe de torná-los realidades. Sabe quando se está empolgado com certa coisa e logo vem um balde de água fria para acalmar os ânimos? É assim que tem acontecido comigo. Estou ainda num processo de adaptação à minha nova realidade, às novas curvas do meu corpo e à forma com que ele reage a certos impulsos.
Outrora, o sexo era a causa para eu conhecer alguém, agora ele se tornou definitivamente a conseqüência.  Num passado, não muito remoto, queria bater recordes. Superar a mim mesma. Era a quantidade que importava e não a qualidade. Eram gordos e magros, velhos e novos; enfim..., de marcianos a terrestres. Hoje, minha libido, ainda que esteja à flor da pele, necessita de estímulos muito mais arrebatadores para que me renda ao coito.
Sempre usei a máxima de que gostava de homens, mas que não era de qualquer homem. Agora, a máxima é que gosto de homens, mas os que dizem-me “útero”. Ou seja, tem que ser aquele que mexa comigo íntima e psicologicamente. Não adianta ter apenas um rostinho bonito ou um corpo escultural. Tem que ser o que consiga me cativar e mostrar que está disposto a me seduzir e, além disso, ter conteúdo. Missão impossível para alguns, né? A grande maioria só pensa em realizar suas necessidades fisiológicas ou noturnas urgentes.
Depois que conheci meus amiguinhos “D” e “A” (os hormônios que uso), não tenho sentido vontade de “bater bolo” (bater bolo = se masturbar). Aliás, não lembro mais qual foi a última vez que fiz isto. O fato é que os efeitos causados por meus amiguinhos fizeram tudo mudar dentro de mim. Para ficar no ponto de abate (rs...) tem que existir preliminares “calientes”. O carinho antes do sexo potencializa todos os sentidos do meu corpo, me deixando a beira do êxtase. Mas isso não é um prazer que qualquer homem me proporciona. Há homens e homens.
Meninos, lembrem-se que as mulheres levam um tempo maior para se excitarem? Rs... Em qualquer manual de bê-a-bá sexual, vocês aprenderão isso: que tem de ter toda uma preliminar para que elas fiquem no ponto certo para o abate? Mas também não é tão difícil assim, eu pelo menos tenho pontos chaves pelo meu corpo, que me empurram lá para frente, já me colocam na eminência do orgasmo. Mas poucos descobriram esses pontos, ou melhor, tiveram tempo para descobrir.
Pois bem, assim que o meu corpo tem funcionado. Se o homem vem querendo sexo, como se fosse um animal no cio, meu corpo nem dá sinal de vida. Mas se vem com outra proposta, com beijinhos e carinhos, as coisas mudam de figura e meu corpo responde prontamente. Porém..., entretanto, todavia..., devo confessar que estou demorando um pouco para chegar ao orgasmo simplesmente com a penetração.
Às vezes, penso em parar com os hormônios, mas, imediatamente depois, desisto da idéia. Só em pensar que voltaria a não ter critério como antes, querendo apenas satisfazer o prazer do meu corpo, já é o suficiente para abdicar desse pensamento venenoso. E o prazer da minha mente como satisfazer? Pelo menos a minha compulsão sexual de antes amenizou e muito. Agora, encontro tempo para fazer outras coisas simples da vida, como: sair com amigos para um chopinho, ir ao teatro, ir ao cinema, comer pipoca, ir à praia pegar um solzinho e ficar ouvindo o barulho do mar. Não que fazer sexo não seja bom, mas, hoje em dia, estou preferindo fazer amorzinho.
Lembro que não via a vida passar. Ficava trancafiada dentro de casa recebendo visitas, que no final do dia não tinham me acrescentado, absolutamente, nada. E o vazio era imenso, quando pairava minha cabeça sobre travesseiro na hora de dormir.

Embora, hoje, não me reconheça por completo, tenho certeza que mudei. Mudei para muuuuuito melhor.
Beijinhos e até a próxima blogada.

sábado, 3 de setembro de 2011

Vida solitária? Não, apenas uma opção de vida (7º Post)



Oi, minhas coisas gostosas!
Saudadinhas de escrever pra vocês.
Espero que tudo esteja correndo na mais perfeita sintonia em vossas vidas.
Hoje, vou escrever um pouco sobre um tema que alguns amigos têm abordado em nossos convívios.
Perguntam-me sempre se não tenho vontade de ter alguém, de compartilhar minha vida, de formar uma família e etc.
Entendo, perfeitamente, a preocupação deles, mas confesso que não é minha preocupação por hora. Na verdade, já tive esse tipo de preocupação quando era mais nova. Aliás, para ser sincera, já tive tantas preocupações na vida..., que só me renderam alguns fios de cabelo branco, e que no decorrer do meu amadurecimento foram se dissipando da minha mente e saindo da minha lista de prioridades. Hoje, minha única prioridade é ser feliz.
A vida passa com uma velocidade meteórica. Me assusto quanto olho para o ontem e vejo que fiz muito pouco das coisas que me propus a realizar na minha existência terrena. Mas, se pensarmos bem, quantificar essas coisas pode ser um tanto quanto relativo, né? Por exemplo: um fio de cabelo na cabeça de uma careca é muito pouco, mas se o encontrarmos um fio em uma sopa é muita coisa.
Acho que a vida que levei, talvez, seja a grande responsável por ter posto meu foco em outras coisas, nas coisas que realmente julgava importante, tipo: consolidar-me cultural, moral, profissional e financeiramente. Não que ter tido alguém ou formado uma família não pudessem existir concomitantemente com o que focava, só procurei me dedicar às coisas que consolidassem a minha independência.
Vinda de uma família humilde e a antepenúltima a nascer, numa gama de dez filhos, onde a única sortuda ou azarada fui eu (isso até hoje ainda não consegui definir com exatidão. Talvez um dia ainda faça análise para resolver essa questão), pois com 1 ano e 2 meses fui doada para uma outra família.
Creio que nosso destino já esteja meio que traçado, nos restando apenas um livre arbítrio para termos uma folguinha para avançar ou retroagir quando nos deparamos a certos obstáculos da vida. No meu caso, sempre usei a sabedoria da água, que nunca luta com os obstáculos que encontra pela frente, mas simplesmente os contorna.  E assim segui meu destino. O importante é que sobrevivi ao monstro chamado fome, a crueldade chamada medo de ser abandonada novamente e a dor chamada incerteza do amor.
Dos nove irmãos, fui a única que pude estudar e ser alguém na vida. Poderia até me vangloriar disto tudo, mas, em vários momentos, tive apenas preocupação. Preocupação de olhar para trás e me sentir culpada por ter uma vida diferente da dos meus irmãos e não poder fazer por eles tudo o que gostaria de fazer.
Chegou um momento em que tive de me fazer madura para entender que as oportunidades são dadas a todos de uma forma ou de outra e que há pessoas que as sabe aproveitar e outras já não.
O fato é que não foi fácil chegar até aqui e muito menos estar escrevendo (expondo) certas passagens da minha vida, que ainda mexem muito com meus sentimentos. Mas sabia que um dia teria a oportunidade de deixar essas memórias registradas, nem que fossem em um pedacinho de papel no fundo de uma gaveta de uma cômoda qualquer.
Amo incondicionalmente meus pais de criação, se não fosse por eles, não seria quem sou. Mas sempre alerto as pessoas que querem adotar alguma criança, que o façam de almas lavadas. Que não a exponha a incertezas que poderão mudar o seu caráter e deixar cicatrizes profundas em seu coração para o resto da vida.
Sempre fui uma criança muito centrada, até mesmo por saber desde pequena a minha verdadeira origem. Utilizava a forma mais árdua de sofrimento para aprender a crescer. Conhecia as duas realidades e sabia qual era a melhor para mim. Não que as diferenças entre as duas famílias fossem muito discrepantes, mas uma me dava a condição e o ambiente normal para ter um crescimento saudável e poder evoluir como ser humano.
Passei por maus e bons momentos. Hoje, percebo o quanto aquela criança indefesa fora sabia em determinadas circunstâncias. Ouvia coisas do tipo: “Não está satisfeita? A porta da rua é a serventia da casa” ou “Nós temos obrigação com fulano e beltrano, que são nossos filhos, com você não”. Coisas, essas, que me magoavam profundamente. Já os amava e jamais resistiria à possibilidade de viver longe deles. Se isso realmente tivesse acontecido, com certeza não estaria aqui escrevendo um pouco da minha estória.
Com a sabia inocência madura de uma criança solitária procurava não fazer nada que me expusesse ao relento sombrio daquele seio familiar ao ponto de ouvir esses tipos de comentários e exclusões sociais. Fazia de tudo para que me deixassem em paz.
Lembro que morria de medo de dormir sozinha, mas nunca tive a coragem de bater à porta dos meus pais pedindo abrigo e carinho. Cobria minha cabecinha com o cobertor e ali ficava chorando baixinho com medo de algum monstro me abocanhar até o sono chegar e finalmente dormir o sonho dos anjos.
Fui de faxineira à babá dos meus irmãos, sem poder me queixar da sorte. O pouco tempo que me restava era para ir à escola e fazer minhas lições de casa. Não tive uma infância comum onde pudesse brincar e fazer coisas de criança. Sempre fui domada a ser precoce.
Tenho certeza que essa minha total independência e coração ressabiado para o amor vêm exatamente daí - da minha infância sofrida e podada. Mas me sinto feliz por te chegado com maturidade aonde cheguei e conquistado o que meus irmãos e milhares de pessoas com a minha idade estão na batalha para conseguir.
Fortaleci-me de tal maneira, que não sinto a necessidade de casar ou construir uma família. Não que isso não possa acontecer. Mas esta é uma necessidade ainda remota.
Costumo dizer que não estou à procura do homem ideal para viver ao meu lado, mas também não estou fechada a encontrá-lo.
Por enquanto, estou me dando à chance de conhecer um “sapinho” muito especial e que tem preenchido meu coração, exatamente nos momentos em que preciso. Espero que, dentro em breve, ele se torne o príncipe encantado dos meus sonhos de criança, mas se isso também não acontecer, serei madura o suficiente para entender, que não estou sozinha, mas é apenas a minha opção de vida.
Posso não saber direito o quero para a minha vida, mas sei exatamente o que NÃO quero.
Beijinhos calorosos com sabor de chocolate e até o próximo “post”.