sábado, 3 de setembro de 2011

Vida solitária? Não, apenas uma opção de vida (7º Post)



Oi, minhas coisas gostosas!
Saudadinhas de escrever pra vocês.
Espero que tudo esteja correndo na mais perfeita sintonia em vossas vidas.
Hoje, vou escrever um pouco sobre um tema que alguns amigos têm abordado em nossos convívios.
Perguntam-me sempre se não tenho vontade de ter alguém, de compartilhar minha vida, de formar uma família e etc.
Entendo, perfeitamente, a preocupação deles, mas confesso que não é minha preocupação por hora. Na verdade, já tive esse tipo de preocupação quando era mais nova. Aliás, para ser sincera, já tive tantas preocupações na vida..., que só me renderam alguns fios de cabelo branco, e que no decorrer do meu amadurecimento foram se dissipando da minha mente e saindo da minha lista de prioridades. Hoje, minha única prioridade é ser feliz.
A vida passa com uma velocidade meteórica. Me assusto quanto olho para o ontem e vejo que fiz muito pouco das coisas que me propus a realizar na minha existência terrena. Mas, se pensarmos bem, quantificar essas coisas pode ser um tanto quanto relativo, né? Por exemplo: um fio de cabelo na cabeça de uma careca é muito pouco, mas se o encontrarmos um fio em uma sopa é muita coisa.
Acho que a vida que levei, talvez, seja a grande responsável por ter posto meu foco em outras coisas, nas coisas que realmente julgava importante, tipo: consolidar-me cultural, moral, profissional e financeiramente. Não que ter tido alguém ou formado uma família não pudessem existir concomitantemente com o que focava, só procurei me dedicar às coisas que consolidassem a minha independência.
Vinda de uma família humilde e a antepenúltima a nascer, numa gama de dez filhos, onde a única sortuda ou azarada fui eu (isso até hoje ainda não consegui definir com exatidão. Talvez um dia ainda faça análise para resolver essa questão), pois com 1 ano e 2 meses fui doada para uma outra família.
Creio que nosso destino já esteja meio que traçado, nos restando apenas um livre arbítrio para termos uma folguinha para avançar ou retroagir quando nos deparamos a certos obstáculos da vida. No meu caso, sempre usei a sabedoria da água, que nunca luta com os obstáculos que encontra pela frente, mas simplesmente os contorna.  E assim segui meu destino. O importante é que sobrevivi ao monstro chamado fome, a crueldade chamada medo de ser abandonada novamente e a dor chamada incerteza do amor.
Dos nove irmãos, fui a única que pude estudar e ser alguém na vida. Poderia até me vangloriar disto tudo, mas, em vários momentos, tive apenas preocupação. Preocupação de olhar para trás e me sentir culpada por ter uma vida diferente da dos meus irmãos e não poder fazer por eles tudo o que gostaria de fazer.
Chegou um momento em que tive de me fazer madura para entender que as oportunidades são dadas a todos de uma forma ou de outra e que há pessoas que as sabe aproveitar e outras já não.
O fato é que não foi fácil chegar até aqui e muito menos estar escrevendo (expondo) certas passagens da minha vida, que ainda mexem muito com meus sentimentos. Mas sabia que um dia teria a oportunidade de deixar essas memórias registradas, nem que fossem em um pedacinho de papel no fundo de uma gaveta de uma cômoda qualquer.
Amo incondicionalmente meus pais de criação, se não fosse por eles, não seria quem sou. Mas sempre alerto as pessoas que querem adotar alguma criança, que o façam de almas lavadas. Que não a exponha a incertezas que poderão mudar o seu caráter e deixar cicatrizes profundas em seu coração para o resto da vida.
Sempre fui uma criança muito centrada, até mesmo por saber desde pequena a minha verdadeira origem. Utilizava a forma mais árdua de sofrimento para aprender a crescer. Conhecia as duas realidades e sabia qual era a melhor para mim. Não que as diferenças entre as duas famílias fossem muito discrepantes, mas uma me dava a condição e o ambiente normal para ter um crescimento saudável e poder evoluir como ser humano.
Passei por maus e bons momentos. Hoje, percebo o quanto aquela criança indefesa fora sabia em determinadas circunstâncias. Ouvia coisas do tipo: “Não está satisfeita? A porta da rua é a serventia da casa” ou “Nós temos obrigação com fulano e beltrano, que são nossos filhos, com você não”. Coisas, essas, que me magoavam profundamente. Já os amava e jamais resistiria à possibilidade de viver longe deles. Se isso realmente tivesse acontecido, com certeza não estaria aqui escrevendo um pouco da minha estória.
Com a sabia inocência madura de uma criança solitária procurava não fazer nada que me expusesse ao relento sombrio daquele seio familiar ao ponto de ouvir esses tipos de comentários e exclusões sociais. Fazia de tudo para que me deixassem em paz.
Lembro que morria de medo de dormir sozinha, mas nunca tive a coragem de bater à porta dos meus pais pedindo abrigo e carinho. Cobria minha cabecinha com o cobertor e ali ficava chorando baixinho com medo de algum monstro me abocanhar até o sono chegar e finalmente dormir o sonho dos anjos.
Fui de faxineira à babá dos meus irmãos, sem poder me queixar da sorte. O pouco tempo que me restava era para ir à escola e fazer minhas lições de casa. Não tive uma infância comum onde pudesse brincar e fazer coisas de criança. Sempre fui domada a ser precoce.
Tenho certeza que essa minha total independência e coração ressabiado para o amor vêm exatamente daí - da minha infância sofrida e podada. Mas me sinto feliz por te chegado com maturidade aonde cheguei e conquistado o que meus irmãos e milhares de pessoas com a minha idade estão na batalha para conseguir.
Fortaleci-me de tal maneira, que não sinto a necessidade de casar ou construir uma família. Não que isso não possa acontecer. Mas esta é uma necessidade ainda remota.
Costumo dizer que não estou à procura do homem ideal para viver ao meu lado, mas também não estou fechada a encontrá-lo.
Por enquanto, estou me dando à chance de conhecer um “sapinho” muito especial e que tem preenchido meu coração, exatamente nos momentos em que preciso. Espero que, dentro em breve, ele se torne o príncipe encantado dos meus sonhos de criança, mas se isso também não acontecer, serei madura o suficiente para entender, que não estou sozinha, mas é apenas a minha opção de vida.
Posso não saber direito o quero para a minha vida, mas sei exatamente o que NÃO quero.
Beijinhos calorosos com sabor de chocolate e até o próximo “post”.

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