Aos olhos do mundo, ou melhor, aos olhos dos “cegos” por opção e hipócritas por negligência, ser uma “Blu Ray” parece insanidade. Mas, em se tratando de uma orientação alheia a vontade humana, é a coisa mais fantástica e prazerosa do mundo. É o momento em que se pode ser o que se quer e nas devidas proporções que seu corpo permitir.
Bom, deixa me apresentar: Meu nome C. L. Assis, tenho 33 anos e 1,75m. Fisicamente não vou me descrever, pois no álbum de fotos poderão ver como sou. Sou do nicho das bonecas, categoria das que não fazem programas e classe das Blu Rays.
Blu Rays foi uma definição dada por um amigo, que achei ótima e muito oportuna, por sinal. O mesmo, certa vez, me disse que não poderia ser classificada como CD (CrossDresser), pois minha tecnologia era “high tech”; portanto, não poderia jamais ser taxada como CD ou DVD (Rs...), que eu era mesmo uma Blu Ray. Gostei tanto da definição, que resolvi adotar esta.
Fiquei bastante comovida e sensibilizada ao notar que aos olhos alheios existe um critério de avaliação, pois teria sido em vão os diversos investimentos, muitos deles doloridos, que tenho arrolado por todo meu corpo (laser, drenagens, estéticas e etc.). Tudo no intuito de ficar do jeito que quero ser.
Devo confessar também que isso é um ciclo vicioso. Começamos retirando os pêlos excessivos de nosso corpo (no meu caso tive sorte de ter nascido toda lisinha). Mas começamos acertando as sobrancelhas, fazendo laser no rosto, axilas, virilhas, pernas; enfim, vamos limpando todo o corpo, sem deixar um resquício ou vestígio de pêlo. Depois vêm as unhas, a marquinha de biquínis, os hormônios e por aí vai... Quando nos damos por conta, já nos transformamos em uma boneca. Vamos que vamos, sem ter noção direito da hora certa de parar. Mas uma coisa é fato: não tem retorno.
A matemática é simples: o assédio, o carinho e a generosidade masculina são diretamente proporcionais ao grau de feminilidade que atingimos, ou seja, quanto mais femininas, mais assediadas e desejadas nos tornamos (Fórmula: Acg = n x f). Já cheguei a um nível que deixei de ser apenas a escolhida pelos homens para escolhê-los. Hoje em dia, ganho até bichinho de pelúcia – não é fofo???
Embora isto tudo não seja algo tão novo assim pra mim (lá se vão 4 anos de estrada a fora) , às vezes me surpreendo com certas passagens e acabo achando que sou louca. kkk... Mas no final, a verdade é que divirto-me e muuuuuito!
“... mas louco é quem me diz que não é feliz... Eu sou feliz!”
Cenas do próximo capítulo:
“Quando tudo começou.”
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