Essa
semana, assisti uma entrevista, que depois, antes de pegar no sono, me fez
refletir sobre o assunto e fazer retrospectivas da minha vida e minhas atitudes
perante a sociedade, nesse meu mundo de transformação.
Devo
confessar que já ouvi falar e já vi em videos, noticiários e filmes várias formas de preconceitos, mas,
no que tange ao preconceito contra bonecas ainda não presenciei nada disso.
Ainda bem..., pois nem sei de que forma reagiria, para ser sincera. Sou muito
bonachona e educada, mas de pavio curtíssimo; e detesto presenciar qualquer tipo de falta
de respeito, seja comigo ou com outras pessoas ao meu redor.
Uma trans
muito famosa disse, na tal entrevista, que as bonecas são tratadas como “o lixo
da sociedade”. Fiquei pensando: será
mesmo que somos tratadas ou que devemos nos sentir assim – o lixo da sociedade? Será que as pessoas
realmente pensam dessa forma? Sei que, na verdade, existem pessoas e pessoas e
que, geralmente, os seres humanos têm o péssimo hábito de se prender as coisas
negativas. É muito mais fácil apontar o dedo criticando do que elogiando alguém. Isto
é fato!
Você pode ter enumeras qualidades, mas se tiver um único defeito,
sempre será julgado por ele. Sem contar que tem o lance de se nivelar por
baixo. Se existem bonecas desonestas e marginais, todas serão consideradas como
tais. O engraçado é que homens e mulheres não são julgados desta forma, né? Existem
marginais heteros também, mas isso não faz com que todos os heteros sejam
nivelados da mesma forma.
Até
entendo que algumas bonecas vivem à margem da sociedade, tipo “borderline”
mesmo. Umas porque querem e fazem por onde e outras são jogadas lá
involuntariamente pelos seus próprios familiares e aceitam esta situação sem a
mínima força de vontade em sair de lá. Mas daí a se sentir “o lixo”, acho falta
de amor próprio e demasiada baixa estima.
Nos
parâmetros estipulados pela sociedade do que é certo ou errado, somos
consideradas o erro, a aberração e a anomalia. Mas afinal, o que é errado? É
errado uma pessoa querer viver feliz com seu próprio corpo ou da forma que lhe convém? O
errado é algo muito subjetivo, não acha?
Não
gosto de criticar ninguém. Acho que todos têm que se sentir à vontade dentro de
seus limites, possibilidades e desejos, desde que não venham a agredir ou importunar a outro
alguém. Um dos princípios básicos da convivência harmônica em sociedade é: O
direito de um cidadão termina, quando começa o do outro.
Portanto,
não é certo, sair por aí tirando vidas alheias ou espancando outros seres
humanos apenas por não aceitarem a forma deles viverem e serem felizes.
Realmente, não consigo entende. Desculpem-me; mas, na verdade, acho que nunca
entenderei.
Sou
discreta no tange a não me expor e evito ao máximo certos tipos constrangimentos.
Por exemplo, não me rendo a programas e nunca me renderei... (Bom..., vamos lá...
rs Se for por um milhão de Euros, eu topo sem pestanejar.); não curto usar
roupas que me deixem desnudas ou que possam me tornar vulgar; não faço topless em praias lotadas de
gente; procuro falar baixo e sem gesticular muito; gosto de falar olhando nos
olhos das pessoas; e tento passar ao máximo despercebida pela multidão.
Se
quisermos ser respeitadas e inseridas no “mundo real”, temos que nos fazer
respeitar e viver nela como a grande maioria. Nunca gostei dessas coisas de
guetos e de exceções para a minoria, tipo cota para travesti, negros e índios
ingressarem na universidade. Por que isso? Como querer ser igual à maioria, se já
começa se excluindo. Parto do princípio, que o que torna uma pessoa capaz ou
não é o intelecto humano e não o corpo, a raça, a religião ou etc. Então, corra
atrás, ou melhor, na frente! As batalhas mais suadas são as que têm um sabor maior de vitória.
Até entendo
certas atitudes de algumas bonecas, que cansadas da vida que levam ou levaram,
acabam criando uma carapaça agressiva e interesseira ao seu redor. Isto não
quer dizer que todas, em suas essências, sejam más; muito pelo contrário, já
conversei com algumas de uma doçura infinita no relacionamento interpessoal,
mas que, quando enfrentam a sociedade, viram umas gladiadoras ferrenhas. Como
disse, entendo, mas não compreendo. Acho desnecessário qualquer tipo de
agressão, mesmo que verbal.
No
fundo, no fundo, nós (seres humanos) não estamos acostumados a lidar com o
diferente. Somos programados, desde muito pequenos, a excluir o diferente. O
diferente assusta, ainda mais quando essa diferença é alvo dos fetiches mais sórdidos dos seres humanos - como somos vistas (objeto sexual). Que pena! Eu, particularmente, acho que
tenho muito mais a oferecer do que um simples sexo. Gostamos de homem sim, mas
não é qualquer homem.
O problema é que as pessoas andam tão inseguras de si
mesmas, que acabam vendo na gente certa ameaça infundada. Logo, é mais fácil
tentar nos agredir moralmente com certos comentários descabidos e rótulos
impiedosos, do que tentar reconhecer que somos seres humanos normais como
qualquer um e que o queremos é apenas ser feliz.
Gostar
do normal é muito fácil. O grande desafio da vida está em aprender a amar e respeitar
o diferente. No final da vida, acredito que o julgamento final esteja baseado nesses aprendizados, que tanto nos fazem evoluir espiritualmente.
Meus
amores, me desculpem pelo desabafo, mas não posso ouvir uma pessoa pública
falar uma besteira dessas em rede nacional, principalmente em nome de um grupo,
ao qual faço parte, e dormir com a consciência tranquila sem ao menos defender
a classe das bonequinhas desamparadas. Rs...
Beijinhos
e abraços apertados!
Vejo
vcs no próximo Domingo.
Byeeee...!!!

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